A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 03/11/2020
Durante a Primeira Revolução Industrial, protagonizada pela Inglaterra entre os anos de 1750 e 1850, os operários enfrentavam péssimas condições de trabalho, com cargas de até 20 horas diárias. Já no século 21, no Brasil, embora legalmente protegidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas, criada por Vargas em 1934, a exploração laboral ainda se faz presente e os empregados vivem entre extremos: por um lado, o excesso de trabalho, por outro, o medo constante de perder sua fonte de renda.
A princípio, é essencial perceber a tendência de tratar com descaso a saúde do trabalhador. Nesse sentido, vale mencionar o discurso empreendedor, que tem como base a meritocracia, com frases como “trabalhe enquanto eles dormem e conquiste o que eles almejam”. Segundo esse princípio, o dia a dia de um trabalhador deve ser dedicado exclusivamente ao serviço e ele deve produzir independentemente de seus problemas pessoais ou de saúde. Embora, em teoria, isso seja validado pela elevada competitividade do mercado atual, na prática, a dedicação excessiva às atividades profissionais pode levar o funcionário a desenvolver doenças como ansiedade e depressão, reduzindo a sua produtividade. Portanto, deve haver um limite entre o tempo dedicado ao emprego a à vida pessoal.
Outro ponto a ser considerado é a alta taxa de desemprego no Brasil: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a alíquota atinge 14% da população. O problema favorece a exploração laboral pois, ao ficar desempregada, a pessoa busca por qualquer oportunidade de emprego para garantir a sua sobrevivência. Sabendo dessa necessidade, muitos empresários buscam formas de flexibilizar as leis trabalhistas e reduzir os benefícios de seus contratados. Assim, cresce no país a quantidade, por exemplo, de entregadores de aplicativos, função com carga horária exaustiva e sem os direitos básicos como salário mínimo e férias remuneradas.
Logo, é crucial haver intervenção estatal na iniciativa privada. O governo deve fiscalizar o cumprimento da CLT, aplicando multas a quem infringe a lei, bem como estabelecer uma porcentagem mínima das verbas de uma empresa a ser direcionada à base da cadeia produtiva. O dinheiro deve assegurar a saúde física e mental dos trabalhadores, por meio da contratação de psicólogos e parcerias com academias, com descontos garantidos aos funcionários dessa firma. Assim, não só a legislação será cumprida, mas o bem-estar e a produtividade dos trabalhadores garantidos.