A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 10/11/2020
Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada no ano de 1948, todo trabalhador tem direitos inalienáveis, como o recebimento de um salário pré-estabalecido como mínimo, jornada diária de no máximo oito horas e férias remunerada. Entretanto, a situação em que diversos trabalhadores se encontram não está de acordo com essa anteriormente citada, tendo em vista a exploração vivenciada por muitos em suas ocupações. Esse cenário infeliz ocorre não só pela falta de qualificação profissional, mas também pela carência de emprego.
Em primeiro lugar, a falta de investimentos em uma educação mais voltada para uma maior especialização contribui com a exploração trabalhista. A esse respeito, sabe-se que na primeira Revolução Industrial iniciou-se de forma mais intensa o processo de criação de máquinas que passaram a realizar diversas atividades que antes eram feitas por humanos. Com isso, os seres humanos tem perdido cada vez mais espaço para as máquinas em atividades consideradas mais básica. Sendo assim, as atividades que sobram são aquelas ditas intelectuais, que exigem um maior grau de raciocínio para solucionar problemas mais complexos, e não investir numa educação que potencialize essas habilidades pode direcionar o indivíduo para trabalhos muitas vezes precários e exaustivos.
Em segundo lugar, a escassez de empregos formais fomenta a busca pelos informais, o que também é responsável pela exploração no âmbito trabalhista. Em relação a isso, uma pesquisa realizada pela Association Aliança Bike com entregadores de comida demostrou que mais de 50% dos entrevistados só exercem essa função por falta de oportunidade, pois as condições de trabalho de um entregador não são tão favoráveis: não possuem carteira assinada e um salário fixo, e isso os força a trabalhar mais de oito horas por dia para conseguir uma boa quantia. Dessa forma, o desemprego alimenta diretamente as condições injustas de trabalho, pois a informalidade se torna a única saída.
Portanto, medidas precisam ser tomadas para que esse quadro de exploração trabalhista se reverta. É necessário que o Ministério da Economia invista mais na educação; essa ação será possível por meio de um maior repasse de verbas para essa área, a fim de aumentar as chances dos jovens de alcançarem o ensino superior. Além disso, é preciso que o Ministério da Justiça regularize a situação da maior parte possível de trabalhadores informais, como os entregadores, tornando obrigatório a assinatura da carteira para que esses tenham pelo menos um salário fixo todo mês. Com essas medidas, uma maior parte da população economicamente ativa terá alguns de seus direitos humanos efetivados na prática.