A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 24/11/2020

O poema “Navio Negreiro”, do poeta romântico Castro Alves, retrata a forma desumana que os escravos eram transportados para a colônia: quantidade superabundante de “cabeças”, para gerar lucros, e salubridade quase nula, para evitar gastos. Quase dois séculos depois, o modelo de produção industrial permanece com esses parâmetros, onde as grandes indústrias negligenciam a saúde dos funcionários para priorizar interesses financeiros. Esse contexto acontece com diferencial: a criação da carteira de trabalho, que fora do papel é inútil.

Segundo o filósofo Renascentista Nicolau Maquiavel, na sociedade moderna “os fins justificam os meios” e por isso, no modelo de trabalho gerar capital é a prioridade. Convém ressaltar, em primeiro plano, que o panorama supracitado é fruto de um processo com raízes históricas no passado que surgiu desde a Primeira Revolução Industrial na Inglaterra, a qual, priorizava o trabalho infantil e feminino por ser economicamente favorável. Esse cenário de escravidão disfarçada, foi alvo de críticas do filme “Tempos Modernos” de Charles Chaplin que desmascarou a rigidez e a repetição da jornada diária de serviço.

Congruente a isso, há fatores que favorecem a perpetuação do abuso trabalhista no país. Nesse sentido, a China é mundialmente conhecida por ter uma jornada com alta carga horária que é extremamente exaustivo. Isto ocorre pela ausência de uma Carteira de Trabalho (CT) nesse país, que possui apenas um registro digital extremamente flexível. No Brasil, há uma carteira de trabalho mas seu funcionamento é bastante contestável, por exemplo, a empresa “McDonald’s” vai pagar 7,5 milhões de reais por violar a legislação trabalhista. Dessa forma, o conceito de classe social de Karl Marx se efetiva, definido pela oposição entre os donos de capitais (dominantes) e a força de trabalho (massa dominada) - que não pode se rebelar pois quase 13 milhões de brasileiros estão desempregados, segundo o El País.

Destarte, para amenizar a exploração de serviços, urge que o Ministério do Trabalho ratifique as cláusulas da CT, por meio de indenizações para as corporações que infringirem a lei. Além disso, o mesmo órgão deve exigir apoio psicológico e a prioridade à saúde dos funcionários como um ser humano íntegro visando, assim, a criação de jornadas de empregos estáveis para que as pessoas possam gozar dos seus plenos direitos civis .