A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 25/11/2020

Para Platão, filósofo da Antiguidade, a qualidade de vida ultrapassa a própria existência, pois, para ele, o importante não viver, mas viver bem. Entretanto, a exploração trabalhista na sociedade moderna, sobretudo no Brasil, distancia grande parte dos brasileiros desse ideal de vida, o que configura um grave problema social. Assim, é fundamental analisar os fatores que interferem nesse impasse, a fim de liquidá-lo.

A princípio, o tema em questão é fruto da precariedade da educação no Brasil e da falta de acesso a ela. De acordo com o IBGE, 731 mil crianças estão fora da escola no país. Diante desse dado alarmante, é fulcral observar que, mediante o baixo investimento governamental na disponibilização de escolas públicas de qualidade, os jovens (principalmente aqueles de baixa renda) não conseguem se qualificar como mão de obra e dificilmente conseguirão entrar no mercado de trabalho extremamente competitivo. Consequentemente, para sustentar suas famílias, esses indivíduos se submeterão a trabalhos desumanos, pelos quais serão explorados ao máximo em troca da mínima recompensa salarial.

Além disso, a problemática supracitada deriva, ainda, da dinâmica do mundo globalizado. Desde o advento da Revolução Técnico-Científico-Informacional, as pessoas encontram-se cada vez mais conectadas pelas redes, as quais sobrepõem todas as barreiras físicas. Com isso, a exposição do homem ao trabalho aumentou e trouxe jornadas de trabalho bem mais longas e que se estendem até o ambiente familiar. Em virtude dessas mudanças, grandes empresas aproveitam desse cenário para impor, aos seus funcionários, obrigações cujo tempo hábil para cumpri-las ultrapassa a carga horária remunerada. Logo, é estabelecida, nas relações patrão-empregado, uma exploração disfarçada do trabalhador.

Dessarte, de modo a reduzir a exploração trabalhista no Brasil, medidas exequíveis devem ser tomadas pelos Órgãos de autoridade. Primeiramente, cabe ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em parceria com o Ministério da Educação, destinar verba para a melhoria das escolas públicas brasileiras. Isso deve ser feito por meio de planos econômicos de desenvolvimento da educação - os quais contemplem a necessidade contemporânea de salas informatizadas - para que o jovem, desde cedo, esteja qualificado a atuar no mercado regular. Ademais, cabe ao Ministério do Trabalho a fiscalização de empresas que expõem os seus funcionários a situações de exploração, bem como a punição daquelas que descumprirem a lei.