A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 29/11/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a exploração trabalhista dificulta a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de controle sobre o período de trabalho e lazer, quanto do aumento do índice de desemprego.

Primeiramente, é imprescindível destacar que o avanço dos meios digitais sobrepuseram as atividades laborais em relação às de lazer. Nesse sentido, segundo o filósofo Claude Lévi-Strauss, “a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais”. A partir desse pressuposto, após a Terceira Revolução Industrial, com o surgimento da internet, as relações de trabalho tornaram-se cada vez mais dinâmicas, ao ponto de dificultar o controle da jornada de trabalho. Dessa forma, a facilidade de receber e executar tarefas por meios digitais fora do ambiente laboral, propiciou o aumento das atividades realizadas em casa, por consequência a falta de controle sobre o tempo disponível promoveu o aumento da carga horária, fator esse que facilitou a exploração trabalhista.

Outrossim, cabe salientar os impactos de uma recessão econômica. Desse modo, durante a crise de 1929, ocorrida nos EUA, com o desaquecimento da economia, as empresas necessitaram reduzir custos demitindo funcionários, propiciando o aumento do desemprego, favorecendo, então, a busca da população por serviço. Atualmente, devido à pandemia do coronavírus, a redução dos lucros levou as organizações desligarem colaboradores, resultando no aumento da falta de emprego. Por conseguinte, devido a tal cenário, a busca incessante por atividade laboral faz as pessoas aceitarem longas cargas horárias e baixos salários, o que simplifica a ocorrência de exploração trabalhista.

Portanto, é mister que, para atenuar a problemática, cabe ao Ministério da Educação implementar na grade comum curricular uma disciplina de informática, em que, através de aulas integradas com a matéria de Sociologia, aborde com os alunos, por meio de situações problemas e aulas práticas, os problemas gerados pela sobreposição das atividades de trabalho e lazer, com o intuito de desenvolver estudantes que saibam organizar o próprio tempo. Ademais, cabe ao Ministério da Economia, por meio de políticas públicas, facilitar a contração de pessoas, por meio de uma redução da carga tributária sobre as empresas, desse modo, auxiliar a retomada da economia e reduzir o índice de desemprego, com o objetivo de diminuir a exploração trabalhista. Nessa perspectiva, haverá uma sociedade em índole com a ideia defendida no livro de More.