A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 29/11/2020

Dados da Associação Aliança Bike demonstram que 75% dos seus entrevistados trabalham por até 12 horas seguidas como entregadores de comida. Embora esses dados sejam referentes à apenas uma parcela da população do Estado de São Paulo, o problema da exploração trabalhista na sociedade moderna continua presente, visto que a cada dia mais pessoas têm procurado um trabalho flexível com uma boa renda, porém sem garantias ou proteções legais. Dessa forma, em razão do surgimento da globalização e do desemprego, percebe-se um problema complexo, que precisa ser revertido.

Primeiramente, é preciso salientar que o advento da globalização é uma causa latente do problema. Desde a época da Revolução Industrial e atualmente com o mundo globalizado, as relações profissionais se transformaram, junto com a percepção do surgimento do trabalho remunerado fora dos escritórios, sendo agora inserido nos grandes centros urbanos. Por causa disso, a mão de obra atual é vista como antiquada, devido à grande quantidade de trabalhadores com pouca especialização concorrendo nas vagas de emprego. Assim, essa população de trabalhadores que sobra, está cada vez mais à procura de trabalhos que forneçam uma renda agradável. O problema é, porém, que muitas vezes não é avaliado se o dinheiro ganhado compensa as horas trabalhadas, ocorrendo, dessa forma, uma exploração trabalhista.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a falta de emprego. Nesse viés, percebe-se que gradativamente os empregadores têm procurado trabalhadores qualificados profissionalmente. Isso, porém, exclui uma grande parcela da população, que não tem as condições financeiras necessárias para estudar e acabam ficando desempregadas. Com isso, essa mão de obra que fica à deriva, acaba procurando emprego em outros lugares, os quais muitas vezes não os oferecem os mínimos direitos e, além de ganharem salários extremamente pequenos, trabalham mais de 24 horas por dia. Nesse âmbito, pode-se ter como exemplo o entregador de comida Gabriel Fagundes Guimarães, de 23 anos, que trabalha 15 horas diariamente, se arriscando por entre os automóveis, para no fim receber uma renda obsoleta.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que o Governo promova a melhor fiscalização dentro dos empregos e a realização de palestras, nos órgãos da prefeitura, para os jovens que estão entrando no mundo profissional, com a finalidade de os orientar e instruir sobre todos os direitos que lhes são disponíveis. Esses eventos podem ocorrer no período do contraturno, contando com a presença de especialistas no assunto e abertos para a comunidade. A partir dessas informações, poderá se consolidar um Brasil melhor, onde situações de exploração não ocorram outras vezes.