A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 03/12/2020

Durante a Era Vargas, que se estendeu de 1930 a 1945, muitas medidas que melhoraram as condições de vida do trabalhador foram tomadas, como a criação do Ministério do Trabalho, o salário mínimo e a regulação da carga diária. Acerca dessa lógica, a população brasileira esperava que as mudanças continuassem ao longo dos anos, até que uma plenitude na situação trabalhista fosse alcançada. Entretanto, poucas alterações aconteceram, e por isso o operariado ainda é muito explorado na sociedade moderna. Em decorrência do sistema econômico-social adotado no mundo e da hierarquia presente nas profissões, transfigurações no mercado de trabalho encontram empecilhos.

Sob esse viés, é fundamental discutir o motivo do capitalismo impactar na exploração trabalhista. Nesse sentido, Karl Marx definiu o conceito da “Mais-Valia” que é a diferença entre o valor final do item produzido e a soma do valor dos recursos de produção e do custo do trabalho que é o alicerce do lucro no sistema capitalista. Em verdade, visando um lucro maior e mais vantajoso, muitas empresas burlam as leis trabalhistas que ditam horas máximas de trabalho e as condições dos trabalhadores para que os empregados trabalhem e produzam mais, sem arcar com os custos e as demandas trabalhistas. Dessa forma, apesar da exploração dos funcionários, o  valor da mão de obra diminui e a mais-valia cresce, sendo proveitoso aos chefes das corporações.

Outro aspecto relevante a ser debatido, é o tabu presente no corpo social, de que algumas profissões são mais importantes que outras. À vista disso, em julho de 2020 um caso de racismo enfrentado por um entregador de comida teve destaque em rede nacional, e durante esse episódio, o trabalhador da empresa Ifood, Matheus Pires foi fortemente ofendido e o cliente disse em tom de desprezo que o jovem ficaria desempregado no futuro, pois trabalha de motoboy. Outrossim, ainda que Matheus e todos os outros que possuem a mesma ocupação dele sejam dignos e dedicados não são vistos com os mesmos olhos de engenheiros e advogados. Todavia, a única diferença entre esses ofícios é que os entregadores não possuem uma legislação e salário condizentes com a atividade que executam.

Portanto, conclui-se que o capitalismo e o preconceito com determinadas profissões resultam na exploração do trabalhador. Em suma, para reverter essa situação é necessário uma maior fiscalização do Ministério do Trabalho, para que as escalas não sejam excedidas e para que as horas extras sejam recompensadas, por meio da exigência de que as empresas entreguem documentos ao governo que comprovem que as medidas estão sendo seguidas. Ademias, campanhas sobre os direitos dos trabalhadores, devem acontecer nas mídias,  para conscientizar os trabalhadores acerca da exploração