A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 04/12/2020
Da mesma forma com que o surgimento de novas tecnologias acabou com empregos, como no período do desenvolvimento industrial, quando operários foram substituídos por máquinas, nos dias de hoje os avanços tecnológicos favoreceram a aparição de novas vagas de emprego. Essa a visão de muitos usuários dos aplicativos de entrega de mercadorias, como o “iFood” e “Rappi”. Entretanto, o que a maioria desses indivíduos desconhece são as condições precárias que esses trabalhadores enfrentam para receber, muitas vezes, menos do que um salário mínimo. Esse é um dos principais exemplos de como a exploração trabalhista continua afetando um grupo de tamanho significativo nos dias de hoje e, também, de como a situação é menosprezada pela sociedade.
Sob essa ótica, é comum se deparar com o argumento de que a informalidade do trabalho em plataformas de “delivery” são uma boa alternativa para aqueles que buscam um emprego durante crises econômicas. Por outro lado, segundo a pesquisa realizada pelo jornal “Brasil de Fato”, 84% dos entregadores de aplicativo possuem uma jornada de trabalho de cerca de 12 horas e geram menos que o valor de um salário mínimo por mês. Além disso, os entregadores não possuem nenhum tipo de direito trabalhista ou auxílios, como seguros ou INSS. Dessa forma, é possível concluir que, ao se submeter a trabalhos sem vínculo empregatício, o trabalhador compromete sua qualidade de vida e sua segurança.
Fora da realidade dos aplicativos de delivey, é possível também identificar a presença da exploração de trabalhadores nas indústrias de grandes empresas, como por exemplo nas chamadas “indústrias maquiladoras” no México. Estas são conhecidas por importar peças de matrizes estrangeiras para serem manufaturadas por operários que recebem um salário inferior ao daqueles que trabalham nas matrizes. Esse tipo de estratégia aumenta o potencial de lucro do empregador, devido à negligência em relação aos direitos trabalhistas, enquanto este utiliza do discurso de estar gerando empregos nos países subdesenvolvidos.
Dessa forma, é possível concluir que, o principal fator que contribui para o surgimento da exploração trabalhista é a desigualdade social, que faz com seja necessário para os trabalhadores aceitarem condições abusivas de trabalho. Dessa forma, é de suma importância que o Ministério da Educação garanta boas condições nas escolas da rede pública, de forma com que os alunos tenham condições de obter sucesso no mercado de trabalho. É também importante que, por meio de uma fiscalização mais rígida, o Ministério do Trabalho, garanta que as empresas estejam seguindo as leis dos direitos trabalhistas.