A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 05/12/2020
A canção “Perfeição”, da banda Legião Urbana, questiona a situação do Brasil na década de 90, além de apontar problemas sociais e os criticar, pedindo mudanças. A despeito disso, já no século XXI, verifica-se que a situação do País não se alterou, visto que a jornada de trabalho no Brasil é desigual. Assim, é perceptível que a exploração trabalhista ainda se mostra presente na atualidade. Nesse sentido, é possível concluir que não só a banalidade da situação como também a ineficácia das leis trabalhistas são fatores que concretizam a exploração do trabalhador na sociedade moderna.
Em primeira análise, o descaso governamental relacionado à exploração trabalhista configura um motivo pelo qual essa terrível circunstância é presente na sociedade moderna. De maneira análoga, na década de 1960, Hannah Arendt, filósofa alemã, por meio da “Banalidade do Mal”, teoria a qual, entre outros aspectos, alerta a respeito dos perigos da massificação da sociedade, o que acarreta uma multidão sem princípios morais. Nesse sentido, já no século XXI, esse descaso direcionado ao empregado representa a concretização do argumento de Arendt, uma vez que tal terrível situação evidencia a incapacidade da população de exercer julgamento moral.
Ademais, a questão da ineficiência das diretrizes trabalhistas em proteger os brasileiros caracteriza um aspecto relacionado à exploração dos cidadãos. Sob esse viés, a teoria da “Cidadania de Papel”, elaborada pelo jornalista brasileiro contemporâneo, Gilberto Dimenstein, a qual defende que, embora os direitos dos cidadãos estejam plenamente garantidos na Constituição Brasileira de 1988, como o direito à jornada de trabalho justa, por exemplo, essas liberdades estão restritas ao papel. Desse modo, é inquestionável que tal hipótese é realidade no mercado de trabalho brasileiro, uma vez que os empregados são explorados e têm seus direitos infringidos.
Logo, a exploração trabalhista é concretizada pela banalidade da situação, juntamente com a baixa efetividade das legislações existentes. Assim, as mídias televisivas, cumprindo sua função social informativa, devem promover a discussão voltada para a existência da exploração da mão de obra. Tal medida deve ser implementada por meio do “merchandising social”, que é a inserção intencional de dados e informações direcionados para um questão educacional e social nas novelas e minisséries. Além disso, o Poder Legislativo, executando seu papel de elaborar e aprimorar leis, deve, por meio de uma parceria com o Ministério da Justiça, elaborar legislações que efetivem os esforços direcionados ao combate à exploração do trabalhador. Portanto, ambas as ações devem ser implementadas a fim de que a qualidade da jornada de trabalho na sociedade moderna seja aprimorada, efetivando os direitos instituídos na Constituição Cidadã.