A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 07/12/2020

O romance “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, retrata a história de diversos personagens, tendo como cenário uma habitação coletiva. Dentre eles, destaca-se Jerônimo, um português que trabalha na propriedade, submetendo-se a jornadas de trabalho exaustivas e com remuneração insuficiente. De forma análoga, muitos labutadores sofrem na hodiernidade com a exploração trabalhista, situação acentuada pelas baixas condições de vida, além das mudanças nas dinâmicas de emprego. Faz-se necessário, portanto, debater os aspectos econômicos e sociais da questão, em prol do bem-estar coletivo.

Diante desse cenário, é importante ressaltar como a miséria pode corroborar com o abuso sofrido, visto que, devido às precárias condições, grande parte dos trabalhadores aceita empregos degradantes e sem acesso a seus direitos básicos, em busca do próprio sustento. Prova disso foi um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o qual diz que, em 2019, o país possuía 14 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza. Nota-se, assim, a impossibilidade da exigência do cumprimento da legislação pelos trabalhadores, o que favorece a exploração destes, agravando o problema.

Por conseguinte, ainda convém lembrar como as tecnologias são fatores preponderantes para a perpetuação do entrave, uma vez que, devido ao desemprego estrutural, inúmeros postos de trabalho dão lugar a máquinas, aumentando a busca por empregos. Isso pode ser analisado a partir do conceito de Modernidade Líquida, elaborado pelo filósofo Zygmunt Bauman, o qual caracteriza a sociedade atual por sua fluidez e mutabilidade, conceito que se aplica também às relações trabalhistas, em razão da instabilidade e necessidade de constante adaptação. Destarte, observa-se como a manipulação do trabalhador é facilitada, o que contribui para acentuar a questão.

É perceptível, dessa forma, que a exploração trabalhista é uma problemática na contemporaneidade. Por isso, é imprescindível que o Sistema Legislativo ampare os trabalhadores, por meio da elaboração de leis mais rígidas, as quais protejam e assegurem as necessidades básicas aos labutadores, com o intuito de lhes oferecer maior suporte. Ademais, é necessário que a mídia, como formadora de opinião, aborde o tema, por meio de novelas e filmes, expondo a legislação existente, a fim de difundir o conhecimento acerca dos direitos assegurados por lei. Dessa maneira, será possível minimizar o problema, assegurando que os desafios enfrentados por Jerônimo possam permanecer apenas na ficção.