A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 08/12/2020

A exploração trabalhista foi potencializada no contexto da Revolução Industrial, período no qual o modelo de produção em massa foi popularizado e os trabalhadores fabris ainda não tinha conquistado direitos básicos. No contexto da sociedade moderna, no entanto, a proteção jurídica é garantida ao trabalhador formal, e o trabalho é considerado um direito social para a ordem constitucional brasileira, de forma que a exploração capitalista laboral precisou se adaptar para as relações sociais atuais. Por consequência, a precarização do labor passou a ser realizada com o auxílio da tecnologia e incentivada pela ideia de sociedade do desempenho.

Em primeiro lugar, é necessário destacar o papel da tecnologia nas novas formas de exploração trabalhista. Nesse sentido, tem-se a precarização do trabalho evidenciada nas condições laborais dos entregadores urbanos que atuam por aplicativo, uma vez que eles não possuem direitos básicos de um trabalhador, embora garantam alta lucratividade para as empresas que dominam o mercado de aplicativos. Ademais, essas empresas denominam-se como meras operadoras de tecnologia, distanciando-se de qualquer responsabilidade para com os prestadores de serviço, o que intensifica a informalidade laboral, na qual o trabalhador tem uma jornada extenuante de trabalho, mas não tem, sequer, cobertura de seguro para acidentes no ofício. Assim, o avanço tecnológico tem sido usado para maximizar e aperfeiçoar a exploração trabalhista por empresas como a Uber e a Ifood.

Em segundo lugar, a prática de abuso nas relações de trabalho também ocorre, modernamente, por meio da estratégia capitalista de consolidação de uma sociedade baseada no desempenho. Essa sociedade, conforme conceitua o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, caracteriza-se principalmente pela internalização de cobranças que antes eram de ordem externa, de maneira que o indivíduo naturaliza a autocobrança excessiva por um desempenho alto. Sob esse viés, a estratégia do capital é exitosa, pois ao romantizar um estilo de vida “workaholic”, que significa trabalhar compulsivamente, garante a efetiva produtividade de seus trabalhadores mediante uma exploração simbólica.

Portanto, urge reconhecer as formas de exploração trabalhista da modernidade, com o intuito de combatê-las. Esse combate deve começar a ser feito pela sociedade civil organizada, recorrendo a boicotes e a abaixo-assinados nas mídias sociais, a fim de pressionar os grupos econômicos do mercado de aplicativos para garantir direitos mínimos aos trabalhadores, como o seguro para casos de acidente no trabalho. Além disso, é urgente que o Ministério da Saúde desmistifique a ideia de sociedade do desempenho, o que pode ser feito por publicidade nos meios de comunicação, com o propósito de alertar sobre os riscos dessa exploração trabalhista para a saúde mental do trabalhador.