A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 17/12/2020

A Constituição Federal, maior ordenamento jurídico brasileiro, garante aos trabalhadores um emprego digno, com boa remuneração e uma situação adequada. Contudo, esse documento é ferido com a intensa exploração trabalhista que assola os empregados, o que causa problemas físicos e mentais e são impulsionados por diversos fatores. Dentre eles, as situações análogas à escravidão, que acarretam psicopatologias, e a negligência quanto à saúde mental dos trabalhadores, deixando-os suscetíveis a complicações. Dessa forma, exigem-se medidas paliativas.

A princípio, é válido salientar que, desde 1888, com a sua abolição, a escravidão foi proibida em todo território nacional. Entretanto, é sabido que, hodiernamente, ainda existem situações análogas à essas, a qual trabalhadores tem sua liberdade limitada ao ambiente profissional e sofrem com intensas cargas-horárias, pouca alimentação, descanso e remuneração, sustentada pela lógica capitalista de exploração e dominação da burguesia sobre a classe operária, segundo afirma Karl Marx. No filme “Crô”, é retratada a cena de uma fábrica de roupas em que os funcionários são mantidos como escravos pelos proprietários, controlando até a hora de irem ao banheiro, mostrando como a ficção imita à realidade nas relações empregatícias.

Outrossim, com a criação do Ministério do Trabalho em 1945, por Getúlio Vargas, foi colocada sob sua incumbência a geração de empregos e o cumprimento das leis trabalhistas. Porém, não foram criadas políticas públicas de apoio psicológico aos empregados, haja vista a exploração que sofrem, uma vez que os empregadores visam o máximo lucro e empenho no emprego, características essas do mundo pós-capitalista, mas não oferecem condições dignas de recuperação e descanso, e negligenciam futuras doenças e transtornos desse trabalho exaustivo. Segundo pesquisa do G1, 1,4 milhões de pessoas já foram afastadas do ofício com problemas psicossociais, decorrente de um serviço exaustivo, o que evidencia que quando essa exploração é regra, a saúde é exceção.

Por conseguinte, compete ao Ministério do Trabalho, a criação de um projeto que, por meio de oficinas e conversas nos ambientes de emprego, auxilie os empregados em suas psicopatológicas, garantindo sua integridade. Do mesmo modo, cabe ainda ao mesmo órgão, em parceria com a mídia, a divulgação de campanhas, no rádio e na televisão, que mostrem sobre o trabalho escravo e os direitos trabalhistas, a fim de alertar sobre essas situações. E só assim, com medidas graduais e progressivas, diminuir a exploração trabalhista e fazer valer a Carta Magna de 1988.