A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 27/12/2020

O filme “Tempos Modernos” retrata as dificuldades encontradas por um operário, vivido po Charlie Chaplin, que ao ser empregado em uma fábrica sofre diversos abusos, dada a exessiva especialização e esscassez de diretitos, majoritários na época. Tal narrativa escancara as mudanças decorridas na Revolução Industrial, criticando os seus desdobramentos negativos nos trabalhadores. Tendo em vista este contexto, observa-se que esta obra se mantém relevante até os dias de hoje, na medida em que a classe trabalhadora ainda se encontra vulnerável, resultado de um sistema que aliena o indivíduo, e de uma sociedade que o isola.

Em primeiro lugar, é necessário apontar as consequências que o modelo econômico vigente tem sobre os cidadãos, e sua relação com o trabalho que exercem. Nesse sentido, o filósofo Karl Marx escreveu “O Capital”, em que argumentava que o trabalho em uma sociedade capitalista é alienante, na medida que desconecta o indivíduo do resultado de seu trabalho, criando uma ausência de significado no mesmo. Além disso, segundo o pensador, tal sistema cria uma enorme insegurança sobre os funcionários, posto que a incessante especialização os tornam descartáveis, podendo ser substituídos de forma arbitrária a qualquer momento.

Consequentemente, as sociedades modernas se veem com um número cada vez maior de pessoas que sofrem de depressão e distúrbios emocionais relacionados ao ambiente de trabalho. No Japão, por exemplo, este fenômeno foi nomeado de “karoshi”, e acarreta na morte de milhares de pessoas todos os anos, seja por doenças cardiovasculares ou mentais. Este panorama já era abordado pelo sociólogo Émile Durkheim, que criticava as cidades cada vez mais urbanizadas, apontando que uma ausência de integração social, principalmente nos espaços de trabalho, seria a causa de distúrbios dessa natureza. Sendo que, Durkheim defendia a criação de instituições como sindicatos, para fortalecer a coesão dos indivíduos em uma sociedade gradativamente mais isolada.

Em resumo, conclui-se que a fragilidade encontrada atualmente pela classe operária, está enraizada no modelo econômico atual, e suas características desumanizantes, que pressionam e afastam os indivíduos. Dessa forma, urge que o Ministério da Economia, por meio de negociações com sindicatos, equilibre a dinâmica entre o patrão e o funcionário, ao apoiar politicamente e financeiramente associações de trabalhadores, garantindo a coesão desses grupos e impedindo de forma clara a exploração nas relações trabalhistas. Só assim, será possível mitigar os efeitos negativos desses sistemas encontrados nos tempos modernos.