A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 07/01/2021
Lançado em 2006, o filme “O Preço do Amanhã” retrata um mundo distópico, em que a população vive uma angustiante realidade: tudo é custeado a partir do tempo, até mesmo a vida. A obra cinematográfica representa uma verdadeira crítica ao sistema capitalista, cuja principal lógica é a de que “tempo é dinheiro”. Fora da ficção, percebe-se que a sociedade contemporânea sofre pela exploração trabalhista, devido, principalmente, ao excesso de trabalho. Sob esse aspecto, é válido discutir sobre a principal causa desse problema, bem como sua consequência para a atualidade.
O primeiro aspecto a ser considerado é que o Brasil, se comparado a outros países, ainda permanece, em muitas questões, parecido com sua estrutura colonial, principalmente no que se refere à questão do trabalho. A esse respeito, o sociólogo Florestan Fernandes afirma que, devido à manutenção de práticas passadas - remetentes aos tempos coloniais -, a criação de uma dependência nacional em relação ao capital externo foi inevitável. Tal estudo dialoga com a atual situação da maioria dos trabalhadores brasileiros que, para sobreviverem diante dessa realidade e suprirem essa dependência governamental, são obrigados a suportar intensas cargas horárias, baixa remuneração e até mesmo condições de insalubridade. Dessa forma, nota-se que a população sofre devido à condição exaustiva a qual está submetida.
Outrossim, compreende-se que os problemas causados por esse excesso de trabalho afetam diretamente a população. Isso porque o forte ideal de produtividade da sociedade atual termina por comprometer a ética em favor da exploração trabalhista, o que explica o fato de os empregadores beneficiarem-se com os extremos esforços de seus empregados. Ou seja, há uma imposição de metas inalcançáveis a fim de aumentar a produção, mesmo que sejam infringidos os direitos conquistados pelos trabalhadores. Com isso, pessoas que impõem planos e finalidades inatingíveis terminam sendo levadas à exaustão e, por vezes, ao desenvolvimento de doenças psicológicas - como depressão e ansiedade. Tal discussão é tão urgente que foi abordada pelo filósofo Byung-Chul Han, ao defender, em seu livro “sociedade do cansaço" que objetivos inalcançáveis e o esforço excessivo para alcançá-los, podem ocasionar distúrbios psíquicos comuns.
Portanto, medidas são necessárias para resolver esse entrave. Desse modo, o Ministério da Cidadania, unido ao Ministério da Justiça, deve agir em favor dos trabalhadores. Isso deve ser feito por meio da ampliação na fiscalização das instituições públicas e privadas, bem como a elaboração de normas - a serem analisadas e votadas no Senado - que tornem mais rígidas as punições àqueles acusados de explorar o trabalhador a fim de que os direitoss trabalhistas sejam preservados.