A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 09/01/2021
Após a crise do “fordismo”, o modelo de produção que passou a vigorar na maior parte do mundo foi o “toyotismo”. Dentre os aspectos desse sistema, destaca-se a flexibilização do horário de expediente e das leis trabalhistas. Diante desse contexto, na sociedade brasileira verifica-se um cenário de exploração do trabalhador, em que a empresa demanda um funcionário cada vez mais empenhado, enquanto que ela o fornece cada vez menos benefícios. Nesse sentido, vale destacar a mudança na postura estatal perante os direitos no ambiente de trabalho e o desemprego como maiores catalisadores da problemática.
Em primeiro plano, é importante ressaltar a nova atuação do Estado no contexto laboral como uma propulsora da exploração trabalhista. Haja visto que, após a década de 80, foi consagrada a visão do estado neoliberal, que se caracteriza, dentre outras coisas, pela diminuição dos direitos dos trabalhadores com o intuito de tornar o país em uma localidade mais atrativa para as empresas. Em virtude desse processo, tem-se, por exemplo, a China se tornando uma potência industrial, justamente, pois sua mão de obra é caracterizada pelo baixo custo e pela baixa proteção por leis trabalhistas.
Ademais, faz-se mister salientar o desemprego como um dos protagonistas no contexto da exploração do trabalhador. No livro “O Iluminado”, é retratada a história de um professor universitário que, após perder seu emprego, tem que trabalhar como zelador em um hotel, completamente, inóspito. Paralelamente, consolida-se, na sociedade, um cenário em que, com a ausência de vagas de empregos, muitos trabalhadores se sujeitam a condições de emprego adversas. A exemplo disso, pode ser citado o fenômeno da “uberização”, em que muitas pessoas, para garantirem o seu sustento, trabalham, por meio de aplicativos, como autônomas por um retorno financeiro, relativamente, baixo e abdicam de vários direitos trabalhistas, como a limitação do tempo de expediente e as prerrogativas de férias, licença maternidade e aposentadoria.
Enfim, é nítida a existência de empecilhos para a mitigação da exploração do trabalhador. Com essa finalidade, o governo federal, mediante o incentivo aos órgãos fiscalizadores, deve inspecionar as condições de labor enfrentadas em todos os âmbitos. Em adição, é fulcral que as escolas, por intermédio da inserção na base curricular do empreendedorismo, ensinem, desde a tenra idade, como criar o seu próprio negócio. Dessa forma, espera-se que, ao adentrarem em um contexto de dificuldade econômica, as pessoas não se sujeitem a uma situação de negação de direitos trabalhistas, mas possam encontrar, de forma independente, uma solução para seus problemas financeiros. Logo, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade cuja dignidade no ambiente de trabalho seja garantida.