A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 13/01/2021

A partir do final do século XX, o neoliberalismo, política ecônomica que se caracteriza pela redução do papel do Estado na regulação das relações sociais de produção, entrou em ascensão mundialmente. Nesse triste contexto, até hoje vigente no Brasil, que prioriza a obtenção de lucros e desconsidera a qualidade de vida da classe trabalhadora, assim como diversas outras distorções provocadas por tal modelo de diretriz financeira, é imprescindível o retorno do papel estatal no bem-estar dessa parcela da população.

Primeiramente, é necessário compreender as mudanças históricas que engendraram a precarização trabalhista moderna. Desde o fim da União Soviética (URSS), e simultâneamente o fim da principal referência socialista, o capitalismo não disputa seriamente com nenhuma alternativa ao atual modelo produtivo. Assim, tal conjuntura reforça o discurso de que nenhum outro tipo de desenvolvimento é possível, o que facilita a retirada de direitos laborais das classes subalternas e privilegia o lucro monetário dos empregadores.

Em seguida, é importante destacar que dentre as consequências desse processo de exploração trabalhista hodierna está o crescimento das desigualdades sociais. Certamente, para que uma sociedade que se julga meritocrática seja razoavelmente justa é fundamental o direito de todos a um trabalho digno e bem remunerado. Todavia, a tendência observada em numerosas categorias de emprego é justamente a oposta. Por exemplo, entregadores de aplicativos como UberEats, muitas vezes participam de jornadas exaustivas de mais de 12 horas de trabalho, sem acesso a espaços específicos de alimentação e higiene. Em adição, o pagamente recebido é muitas vezes inferior ao salário mínimo nacional, o que evidentemente dificulta o acesso de tal parcela populacional ao ensino básico e superior, fundamentais para uma possível ascensão social, além de ser um desrespeito a esses trabalhadores.

Em suma, a fim de que seja corriga uma das principais distorções do capitalismo contemporânio, isto é, a cada vez maior exploração do trabalho, é primordial a atividade do Estado brasileiro como regulador e interventor. Isso é possível por meio da criação e imposição de leis que normalizem direitos básicos estendidos a toda classe trabalhadora. Com o propósito de que sejam feitas e implementadas da melhor forma possível, formular-se-ia um ciclo de debates com representantes do governo e da sociedade civil, principalmente líderes sindicais juntamente com alguns empresários. Igualmente, tal problema seria exposto nas escolas, com o objetivo de formar cidadãos mais consciêntes a respeito de seus direitos, bem como dos conflitos e impasses atuais nas relações empregatícias.