A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 10/04/2021

Na obra literária Harry Potter escrita por J.K. Howling, os elfos domésticos tinham a desafiadora tarefa de servir os bruxos e eram, em sua grande maioria, maltratados e explorados. Dobby, um dos elfos, acaba conhecendo Harry e expondo seu desejo de ser liberto, ato que só podia ser realizado por uma peça de roupa entregue pelo bruxo que o possuía, e o seu grande pesar pela exploração da família Malfoy. Fora do romance muitos trabalhadores da sociedade moderna sofrem um pesar semelhante ao de Dobby: são explorados constantemente por seus superiores e tem sua liberdade usurpada. Fato este se dá devido a alta exigência das empresas e a coisificação dos trabalhadores.

Em primeiro lugar, é mister destacar o impacto da tecnologia na realidade trabalhista. A velocidade e massificação de informações no atual cenário de globalização tornou uma vaga de emprego uma competição onde, analogamente aos pensamentos de Charles Darwin, somente o mais apto é capaz de se perpetuar. Seguindo a Teoria da Evolução as empresas exigem somente os melhores, ou seja, somente os mais bem preparados e informados são capazes de ascender economicamente, os demais são forçados a aceitar cargos de baixos salários e se submeterem a exploração de sua mão de obra.

Ademais, convém levar em consideração os estudos de Max Weber sobre a Ética Protestante, onde o trabalho se encaixa como uma das mais dignas e nobres ações sociais. Porém, o que se verifica no interior das instituições é a total e pura indignidade para com os trabalhadores, que são coisificados no local de seu trabalho a ponto de seus esforços se tornarem obsoletos, valendo menos que os próprios objetos que fabricam. Tal ultraje fere, não só a dignidade humana, mas também vai contra a Constituição cidadã que zela pelo bem estar e proteção da população como um todo. Sendo assim, se faz necessária uma intervenção urgente.

Fica evidente, portanto, que o alto requerimento por especialização da mão de obra e a coisificação do trabalhador são os principais agentes da exploração trabalhista. Logo, se faz necessária a intervenção do Estado que deve, juntamente com o Ministério da Economia, dar inicio a um programa financeiro que garantirá o desenvolvimento e especialização dos trabalhadores, para que estes possam iniciar e ascender em suas carreiras. Além disso, o Poder Legislador vigente, deve elaborar uma lei que force as empresas a reconhecer o esforço de seus funcionários e lhes pague o devido salário. Somente com as medidas supracitadas poderemos finalmente conceder uma peça de roupa a cada um dos “Dobbys”, libertando-os, assim, de seu fardo exploratório.