A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 18/05/2021
“Subiu a construção como se fosse máquina”. A música “Construção” do cantor Chico Buarque retrata a maneira repetitiva e insegura a qual um operário trabalha até sua própria morte. Para fora da composição, essa é a realidade de muitos brasileiros, os quais se subjugam à exploração com o intuito de sobreviver. Tal fato decorre devido ao avanço tecnológico que, por consequência, causou jornadas de trabalho mais longas e automoção dos bens de consumo. Desse modo, é urgente a busca por soluções para a exploração trabalhista na sociedade contemporânea.
Em primeiro plano, é pertinente expor o pensamento do filósofo Byung Chul Han, segundo o qual, define a sociedade contemporânea como um corpo social de desempenho, em que o próprio senhor é escravo do trabalho, isto é, valoriza o trabalho e a produtividade acima de tudo. Nesse contexto, o avanço das tecnologias, como a internet, contribuiu muito para a otimização do desempenho do indivíduo, pois esse não precisa mais se limitar apenas ao seu horário de expediente e pode trabalhar em casa também. Por conseguinte, os limites entre trabalho e vida pessoal ficaram difusos, tornando o funcionário escravo de seu ofício. Logo, o avanço tecnológico contribuí para jornadas de trabalho desumanas.
Além disso, outra consequência da evolução tecnológica é a automoção da produção, em que cada vez mais o trabalho manual vem sendo substituído pelo trabalho maquinal. Esse cenário torna o produto final muito mais barato, visto que a máquina otimiza o trabalho e o empregador não necessita pagar pela mão-de-obra, gerando alto indíce de desemprego. Nesse sentido, é relevante trazer a ideia de mais-valia do filósofo Karl Marx definida como a disparidade entre o valor da mercadoria final e a quantia paga ao trabalhador que a produziu. Partindo deste conceito, pode-se concluir que, com a diminuição do preço final da mercadoria devido à automoção há, também, redução no valor da força de trabalho do proletário. Dessa forma, tal cenário combinado com a falta de oferta de emprego faz com que o assalariado sem qualificação profissional aceite trabalhar em condições de exploração.
Portanto, torna-se imprescidível a tomada de atitudes que reduzam os efeitos da exploração do proletário no Brasil vigente. Para isso, cabe ao Ministério do Trabalho complementar as leis trabalhistas para que o uso das redes com o intuito de trabalhar fora do expediente seja renumerado como hora-extra de trabalho, por meio da fiscalização das empresas as quais, se não cumprirem com a lei, ficarão sujeitas à multas, a fim de que o trabalhador seja pago por suas horas de trabalho de maneira justa. Além disso, é necessário a implementação de políticas públicas visando a capacitação profissional da população. Dessa forma, o brasileiro não precisará se submeter à circunstâncias precárias de trabalho.