A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 20/05/2021
No auge da Revolução Industrial do século XVIII, há relatos de que os trabalhadores passavam mais de 14 horas no ambiente de trabalho. No entanto, com o decorrer da história, essa jornada foi reduzida para 8 horas. Porém, na sociedade atual, existem alguns casos de trabalhadores que possuem uma jornada superior a essa, o que se caracteriz como uma exploração do trabalhador, como é o caso de algumas pessoas que trabalham para aplicativos. É importante destacar que, dentre os fatores que causam isso, pode-se destacar o desemprego e a falta de fiscalização e também o anseio pelo lucro, o que pode levar a algumas consequências, como o aumento do estresse e a perca de direitos.
Em um primeiro momento, é importante destacar que a exploração do trabalhador na sociedade atual é, em grande parte, parecida com aquela exploração do século XVIII. Em ambos os casos, é notório que a exploração está associada ao fato de que os empresários sempre vão visar o aumento de seus lucros, ou seja, prezam pela individualidade. Como demonstra o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, na sociedade moderna, os indivíduos sempre buscam seus próprios interesses, não se importando com o outro. Isso é bastante visível quando se trata dos resposáveis por por aplicativos de entrega, por exemplo, os quais não vão estabelecer uma carga horária para os seus trabalhadores, o que faz com que eles passem a trabalhar em cargas horárias elevadas, como demonstra os dados de uma pesquisa da Associação Aliança Bike, na qual mais de 70% das pessoas que trabalham para esses aplicativos passam até 12 horas conectados, o que não vai trazer nenhum benefício para o trabalhador, apenas para a empresa que vai aumentar os seus lucros cada vez mais.
Toda essa situação de exploração vai resultar em algumas consequências, por exemplo, a perca de direitos trabalhistas, porque, em muitos casos, os exploradores não assinam a Carteira de Trabalho dos empregados. Diante desse cenário, os trabalhadores não possuem seus direitos assegurados, os quais só são garantidos àqueles que possuem a Carteira assinada. Outra importante consequência é o aumento dos níveis de estresse desses trabalhadores, pois, com uma carga de horário mais elevada, essas pessoas não dispõem de muito tempo para o lazer e para descanso.
Portanto, é necessário que haja uma tomada de decisão por parte dos órgãos responsáveis pelos trabalhadores, como o Ministério do Trabalho, por meio de emendas parlamentares, para obrigar essas empresas de aplicativos a garantirem os direitos trabalhistas, como o direito a férias, a fixação de uma jornada de trabalho de até 8 horas, ao assinar a Carteira de Trabalho, por exemplo, para que, assim, os trabalhadores consigam ter os seus direitos assegurados e os níveis de estresse devido à alta carga horária sejam reduzidos.