A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 20/05/2021

Datado de 1936, o filme “Tempos Modernos”, de Charlie Chaplin, já tecia uma crítica sobre a forma com a qual a Revolução Industrial e as tecnologias surgidas à partir dela, estavam moldando de forma bruta as relações de trabalho.  Depois de muitas décadas, ainda existe um debate muito grande entorno das formas de exploração da mão-de-obra no Século XXI e de como o trabalhador cada vez mais tem se tornado apenas uma peça no grande quebra-cabeça capitalista. Dessa forma, entende-se que as principais causas de tal realidade são a exponencial globalização e a crescente informalização do trabalho.

Em primeira análise, é importante entender que a globalização é, basicamente, o nome dado ao fenômeno comum que vem, nos últimos anos, unindo nações e empresas por meio da tecnologia. Esse processo leva à eventual “homogenização” de características políticas, culturais e, principalmente, econômicas em todo o mundo. Como resultado, temos uma maior demanda por especialização dos trabalhadores e uma consequente flexibilização do trabalho ligada aos processos informacionais, exigindo mais tempo e disponibilidade dos empregados. Dessa forma, é possível perceber que é cada vez mais necessário ter uma grande quantidade de habilidades mesmo para as funções mais simples, o que necessita de investimento que, na maioria das vezes, não garante um retorno equivalente.

Sob a mesma ótima, é imprescindível compreender que as desigualdades sociais se tornam cada dia maiores e que essa perspectiva gera consequências gigantescas no mercado de trabalho. Segundo avaliação feita pelo IBGE no final de 2020, existem aproximadamente 14,2 milhões de desempregados no Brasil. Tal cenário favorece a informalização do trabalho, condição na qual as pessoas costumam trabalhar mais e ganhar menos, visando a subsistência, não tendo vínculos empregatícios e nem direitos assegurados.

Em síntese, tornam-se necessárias ações que visem a ampliação do fornecimento de oportunidades para os indivídios, sejam elas voltadas à preparação para o mercado de trabalho ou ao incentivo às empresas para a geração de novos postos. Logo, o Governo Federal, através do Ministério da Educação e da Secretaria do Trabalho, deve criar um projeto que implemente a oferta do ensino técnico/profissionalizante atrelado ao ensino médio em 100% da escolas públicas brasileiras. Além disso, tal projeto seria conectado com um organização que encaminharia os jovens diretamente para oportunidades de trabalho em empresas parceiras à partir do último ano de curso, visando encaminhá-los para carreiras sólidas em suas áreas de interesse. Assim, espera-se que o contexto exploratório moderno seja minimizado e, consequentemente, erradicado a longo prazo no país.