A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 03/06/2021
O árduo trabalho não compensado exercido pelos entregadores de aplicativo, faz parte do cotidiano de milhares de jovens, inclusive de menores de idade. Trabalhadores que, em sua maioria, saem das periferias em direção aos grandes centros de bicicleta ou de moto, correndo perigo no trânsito e de serem assaltados na hora da entrega, isso sem falar nas intempéries que têm que enfrentar diuturnamente.
Segundo uma pesquisa realizada pela Associação Aliança Bike, conclui-se que cerca de 57% dos entregadores trabalham todos os dias da semana e 75% ficam conectados ao aplicativo por até 12 horas seguidas, sendo que 30% trabalham ainda mais tempo. Afirma o entregador Gabriel Fagundes Guimarães ‘’…já cansei de emendar direto [fazer mais de 24 horas seguidas de entregas]. Aí nem durmo. Tem uns que dormem na praça, mas prefiro ficar ligado”. Como se não bastassem as longas jornadas de trabalho, que constantemente passam a ser bem mais que 24h, quando o salário chega, parece que todo o esforço feito pelo trabalhador foi em vão, já que o pagamento é menor que um salário mínimo.
Outra pesquisa elaborada pela Associação Aliança Bike, apresenta que dentre os entrevistados, 59% tiveram como principal incentivo para começar a fazer entregas através de aplicativos, o desemprego. Com isso, percebemos que a falta de emprego no país é uma situação alarmante e que irá agravar-se cada vez mais, tendo em vista que se importar com o bem-estar do empregado, bem como a asseguração de seus direitos não é beneficente na visão dos aplicativos de entrega.
Consequentemente, a exploração trabalhista no Brasil pode ser considerada uma ‘’nova escravidão’’, já que é uma prática baseada apenas no lucro que o empresário detêm sobre o operário. Visando erradicar o problema, o governo deve intervir, objetivando assegurar e ampliar os direitos e benefícios dos trabalhadores, como salários e jornadas de trabalho mais justos, além exercer a fiscalização para garantir a execução desses direitos.