A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 13/06/2021

O escritor José Saramago, ao escrever a obra ’’ Ensaio Sobre a Cegueira’’, realiza duras críticas a sociedade neoliberal hodierna que insiste em permanecer ‘‘cega’’ frente às patologias sociais.  Fora desse contexto literário, é isso o que acontece quando se observa a problemática da exploração trabalhista na realidade brasileira. Diante desse cenário aflitivo, faz-se urgente analisar a omissão do binômio Estado e corpo social para mitigar de vez essa grave mazela social.

Antes de tudo, é válido afirmar que a questão Constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de ‘‘Instituição Zumbi’’, segundo o qual o Estado perdeu a sua função social, mas manteve a sua forma. Nesse sentido, a arena pública é, na visão de Bauman, uma instituição morta-viva, visto que encontra dificuldades em criar medidas efetivas capazes de garantir a todos os trabalhadores os direitos estabelecidos pela Consolidação de Leis do Trabalho. Essa negligência do Poder Público, por consequência, colabora com a insegurança e o medo vivenciados por diversos trabalhadores que, ao se encontrarem em ambientes precários de trabalho, têm sua saúde e integridade colocadas em risco. Desse modo, torna-se crucial uma maior atuação do Estado perante a questão.

Além disso, destaca-se a inércia social como agravante do problema. Segundo o sociólogo Karl Marx, a ideologia capitalista permitiu que a classe dominante desenvolvesse meios que ludibriassem os grupos menos favorecidos, criando neles a visão de prosperidade econômica e social. Nesse viés, o pensamento marxista mostra-se fincado na hodiernidade, tendo em vista que o capitalismo permitiu que a humanidade usufluísse de melhorias tecnológicas em diversos campos, como medicina e telecomunicações. Todavia, por ser uma ideologia que visa exclusivamente ao lucro, a sociedade neoliberal acabou se tornando uma simples ferramenta de produção e de consumo, o que possibilitou que houvesse uma intensa exploração nos trabalhos contemporâneos. Essa lógica produzida pelo sistema também promoveu uma alienação do trabalhador, uma vez que, ao dividir a sociedade em classes, os menos favorecidos naturalizaram a ideia de que o excesso de trabalho, por meio do acúmulo de capitais, permitirá a ascensão social. Dessa forma, mitigar essa postura faz-se necessário.

Fica clara, portanto, a necessidade de adoção de medidas para combater esse problema. Cabe ao Estado garantir os direitos dos trabalhadores por meio de uma rigorosa aplicação das leis com multas e prisões para quem as desrespeitar. Ademais, é necessário que o Ministério da Saúde desenvolva projetos e debates acerca do assunto nas redes sociais em horários noturnos por meio de profissionais capacitados, como psicólogos, a fim de discutir os riscos ocasionados pela exploração laboral.