A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 22/06/2021
A série “Black Mirror”, da Netflix, em seu primeiro episódio retrata a intensa exploração trabalhista, narra-se a história de seus personagens exercendo árduas horas de esforço físico em cima de suas bicicletas -instrumento de trabalho- e recebendo pouco pelo serviço. Da mesma maneira, a sociedade moderna enfrenta o mesmo empecilho da série, o aproveitamento abusivo para com os trabalhadores, sendo esse acentuado tanto pela uberização profissional e quanto pela absolescência programada da mão de obra humana.
Em primeiro lugar, vale ressaltar uma peculiaridade da Era Moderna, a uberização do trabalho. Essa consiste em setores empregatícios em que não há vínculos entre o empregado e o empregador. Sendo assim, além de apresentar uma relação líquida, teoria construída pelo filósofo Zygmunt Bauman, a qual consiste em relações superficiais e menor contato entre os indivíduos, também identifica-se uma profunda precarização trabalhista. Essa manifesta-se na ausência férias remunerada, na inexistência do décimo terceiro salário e também na penosa carga hórária do serviço. De acordo com o IBGE, 14,8 milhões de brasileiros estão desempregados, isso resulta no aumento da busca por empregos informais, como por exemplo entregadores e motoristas de aplicativos.
Visto isso, paralelamente, é relevante analisar que uma das causas do aumento dos empregos informais é a 4° Revolução Industrial, pois essa possui como característica a valorização de trabalhadores altamente capacitados e especializados. Isso, por conseguinte, acarreta na exclusão de grande parcela da sociedade, a qual não dispõe de uma formação acadêmica -seja pelo difícil acesso seja por escolha. Dessa forma, à medida que isso ocorre também verifica-se o fenômeno da absolescência da mão de obra humana, essa, em outras palavras, efetua-se quando há um maior número de trabalhadores, sem qualificações diferenciais, sobrando em abundância para contratação; logo, sse feito permite que empresas substituiam facilmente e rapidamente os profissionais sem especializações.
Portanto, tornam-se necessárias medidas para amenizar a exploração trabalhista hodierna. Sendo assim, a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, junto com o Ministério Público, deve, por meio de incentivos fiscais com as empresas de aplicativos, exigir que essas tenham seus empregados com as carteiras assinadas, para que assim os profissinais garantam seus direitos trabalhistas. Além disso, o Ministério da Educação deve, por meios de parcerias com empresas High-Tech, inventir na educação profissionalizante, para que assim os jovens, desde cedo, já garantam sua especialização na graduação. Talvez assim, a série “Black Mirror” torne-se apenas ficcional e menos verossímil.