A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 16/11/2021
O filósofo utilitarista Jonh Stuart Mill afirma que o caráter humano é pautado pela ignorância e pela negligência em relação ao coletivo, o que facilita a subordinação social. Sob essa análise, percebe-se que, no Brasil, há uma sólida consolidação da tese do intelectual, haja vista a massiva exploração trabalhista presente na sociedade moderna, de modo a prejudicar a vida do trabalhador que está subordinado às imposições e à opressão do seu patrão. Com isso, é pertinente reduzir o problema, atuando na insuficiência estatal e na lacuna de esclarecimento da classe trabalhista.
Em primeiro plano, a falta de suficiência do poder público em promover dignidade ao servidor fomenta essa realidade grave. A esse respeito, o escritor Gilberto Dimenstein, na obra “O cidadão de papel”, tece uma crítica a pouca atuação do governo nas causas sociais, tornando o cidadão desamparado. Nessa lógica, é evidente que o trabalhador, muitas vezes, é banalizado pelo Estado, o qual pouco reduz a intensa exploração que essa classe sofre, o que camufla a grande desvalorização que permeia a vida da mão de obra brasileira, geralmente, desfavorecida economicamente e segregada no meio social. Diante disso, essa situação é verificada, seja pela carência de direitos garantidos aos trabalhadores informais, como segurança e saúde adequada, seja pelo pouco incentivo financeiro governamental em empresas, as quais devem melhorar as condições de vida, trabalho e ofertar salários justos, com o incentivo e apoio do governo. Assim, fica clara a inoperância estatal nesse quadro submisso.
Além disso, o pensamento limitado da classe trabalhadora perpetua a problemática. Nesse contexto, o filósofo Immanuel Kant defende que o ser humano, ao ser elucidado, sai do estado de menoridade mental e adentra ao de maioridade, ampliando seu senso crítico. Nesse sentido, a falta de entendimento de que o trabalhador possui direitos e deve denunciar casos de discriminação facilita o abuso de poder e autoridade dos patrões, de forma a contribuir com a alienação dos que vendem a força de trabalho e não contestam as condições desumanas em que vivem. Tal cenário é comprovado, por exemplo, no silenciamento presente nas escolas, as quais deveriam esclarecer aos estudantes quanto à criminalidade da exploração trabalhista em aulas e palestras, a fim de aumentar o poder crítico dos futuros trabalhadores. Logo, alterar o posicionamento social é indispensável nessa questão.
Portanto, com a finalidade de combater o abuso exploratório trabalhista e ampliar a mentalidade dessa classe, cabe ao Ministério do Trabalho promover uma campanha que sensibilize o governo e a população nessa causa, por meio do relato anônimo de vítimas dessa exploração indevida. Ademais, essa campanha precisa promover o debate em instituições de ensino acerca da gravidade desse abuso, utilizando palestras. Dessa maneira, a ideia de Stuart poderá ser coibida no Brasil.