A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 19/09/2021

No século 18, a revolução industrial, notável pelo seu avanço técnico e científico, promoveu a exploração da classe trabalhadora. Nesse contexto, diversos abusos, como, por exemplo, longas jornadas de trabalho e baixa remuneração, foram introduzidos e naturalizados no seio social. Hoje, apesar da existência dos direitos sociais, muitas dessas características ainda podem ser percebidas e, por vezes, se desdobram em problemas econômicos e psicológicos.

Antes de tudo, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, metade da população brasileira ganha menos que um salário mínimo. Esse valor, segundo o Departamento de Estudos Socioeconômicos( DIEESE), além de não suprir as condições básicas de um indivíduo, expõe diversos grupos, anualmente, à miséria e à fome. Esse contexto,  explica o escritor Gilberto Dimenstein, reflete a incapacidade de o Estado assegurar os direitos previstos pela constituição. Sob essa análise, a noção de lazer, saúde e trabalho digno- concebida pelo artigo 6 como expressão genuína da cidadania- normalmente se restringe ao papel e, conseguintemente, não é verificada na prática.

Ademais, segundo o sociólogo Karl Marx, o capitalismo, modelo econômico predominante na atualidade, só se desenvolve por meio da exploração do trabalho. Nesse cenário, de instabilidade e vulnerabilidade socioeconômica, para garantir a sua sobrevivência e melhorar a sua posição social, o indivíduo hodierno se preocupa, cada vez menos, com aspectos relativos à saúde, se submetendo às piores condições laborais, explica o filósofo Byung-Chul Han. Como efeito dessa conjuntura, o adoecimento mental, percebido no aumento da ansiedade e depressão, conforme a Organização Mundial de Saúde(OMS), evidencia a precarização do emprego como propagadora de diversas desigualdades.

Portanto, diante do exposto, urge que medidas sejam pensadas para frear e mitigar o problema. Primeiramente, a mídia, agente fiscalizador de diversas instituições, deve denunciar, com o auxílio de juristas e psicólogos, o enfraquecimento da esfera trabalhista como causadora de transtornos emocionais e do empobrecimento. Além disso, mediante mobilização do corpo social, jovens e adultos, os deputados federais devem apresentar projeto de lei que vise o aumento do piso salarial. Desse modo, espera-se superar o ideário implementado no século 18.