A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 21/09/2021
No filme “Tempos Modernos”, do célebre cineasta Charlie Chaplin, é retratado a rotina de trabalho - extremamente exploratória e abusiva - de um operário durante a Revolução Industrial. Fora da ficção, a vida imita a arte e faz-se reflexo na sociedade vigente: apesar da grande evolução tecnológica das revoluções subsequentes, os direitos dos proletariados caminharam a passos lentos e as concepções trabalhistas configuram-se, ainda, prejudiciais aos indivíduos. Nesse contexto, o modo de produção capitalista e a negligência do governo são fatores que favorecem a manutenção do problema. Assim, é evidente a necessidade de intervir sobre essa triste realidade de caráter secular.
Mormente, o modelo econômico capitalista, ao preocupar-se somente com o lucro em detrimento da mão de obra, potencializa as más dinâmicas trabalhistas no mundo. Nesse sentido, é estimulada a “Uberização do Trabalho”, um processo de transformação trabalhista recente, em que é constituída uma situação de subemprego associada as plataformas digitais, que isenta as empresas de quaisquer deveres quanto ao funcionário. Fica evidente, assim, que a exploração laboral não foi superada e ainda é recorrente no século XXI, uma vez que o ganho de capital supera, em grau de importância para o capitalismo, todas as outras dinâmicas humanas.
Outrossim, a displicência da máquina pública tem um papel significativo para a perpetuação do problema. Nesse quadrante, o Estado age como uma Instituição Zumbi - termo posto por Zygmunt Bauman para instituições que mantém sua forma, mas perde sua função - ao não estimular a criação de leis que protejam a população economicamente ativa que impeçam a sua precarização. Sob essa ótica, a quantidade irrisória de leis trabalhistas significativamente efetivas, sobretudo para as classes sociais vulneráveis, comprova essa atribuição negativa ao governo. É inquestionável, portanto, que a sociedade é lesada com esse comportamento estatal.
Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca desse cenário é imprescindível para a garantia da dignidade humana e laboral. Posto isso, concerne ao Estado, mediante o Ministério do Trabalho e do Legislativo - Poder responsável pela elaboração das leis - fomentar a criação de leis rígidas de proteção ao trabalhador, que impeçam, por exemplo, a consolidação da uberização do trabalho, a fim de superar as amarras sociais impostas pelas relações econômicas hodiernas que atingem, principalmente, os mais pobres. Feito isso, poder-se-á observar o país em progresso, e a realidade vista em “Tempos Modernos” ficará restrita à ficção e aos livros de História.