A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 10/10/2021
Na série “Sob Pressão” é retratada a jornada exaustiva de trabalho de profissionais da saúde devido à alta demanda de trabalho e poucos profissionais para realização. Fora das telas, a exploração trabalhista é uma realidade na sociedade contemporânea brasileira, e alguns motivos que corroboram com a problemática são a alta taxa de desemprego e a ineficácia das leis que garantem os direitos dos trabalhadores.
A princípio, vale ressaltar que o desemprego colabora para a exploração trabalhista, pois as empresas produzem muito, mas com poucos funcionários, formando-se um ciclo. Assim, no contexto da Primeira Revolução Industrial, sabe-se que houve uma grande mudança na forma de produção, pois houve a automação do trabalho por máquinas que tirou o emprego de muitas pessoas, e as empresas precisavam apenas de funcionários para operar o maquinário. Dessa maneira, o desemprego aumenta em grande proporção, chegando até os dias atuais, pois com a tecnologia cada vez mais avançada há menor necessidade de indivíduos, porém da mesma forma os trabalhadores ficam sobrecarregados, pois estão em menor quantidade e a produção continua a mesma, e resulta no trabalho excessivo. Ademais, a ineficácia das leis trabalhistas também contribuem para a exploração no trabalho. Nesse sentido, após o ex-presidente do Brasil, Getúlio Vargas, assinar a aprovação da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) em 1943, acreditava-se em uma alteração na jornada de trabalho, que de fato ocorreu, mas não como deveria. Segundo o sociólogo alemão Dahendorf, a anomia, é um termo utilizado para determinar que as normas reguladoras de pessoas (leis) perderam sua validade, ou seja, não estão sendo respeitadas. Prova disso se dá em situações em que chefes fazem seus funcionários trabalharem mais do que o previsto pela CLT (oito horas diárias), e os subordinados aceitam pela dificuldade em conseguir outro emprego caso percam o que estão por não fazerem o que está sendo mandado, comprovando, assim, a teoria de Dahrendorf.
Portanto, fica exposta a necessidade de intervenção. Cabe, assim, ao Governo Federal em parceria com o Ministério do Trabalho, fiscalizar melhor as condições de trabalho, por meio de visitações periódicas de psicólogos e analistas de recursos humanos nas empresas, e também estabelecer número mínimo de funcionários nas empresas, de acordo com o tamanho e do que produzem, a fim de oferecer empregos de qualidade para a maioria da população, com todos os direitos garantidos pela CLT, e dessa forma o cenário de “Sob Pressão” não será comum na sociedade brasileira.