A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 12/10/2021

O sociólogo Karl Marx, do século XIX, desenvolveu o termo “mais-valia” para designar o abuso nas relações de trabalho, em que o patrão comete a expropriação do valor da mão de obra do seu empregado. Paralelamente, hoje, a exploração trabalhista ainda se faz presente na sociedade moderna, o que põe em risco o bem-estar e a dignidade da classe trabalhadora. Assim sendo, essa problemática se deve não só às informalidades empregatícias, mas também à falta de oportunidade de profissionalização das camadas mais pobres do país.

Diante desse cenário, é imperioso ressaltar que as situações de trabalho informal contribuem com a exploração da mão de obra, pois, apesar das leis, o emprego sem documentação acaba por se desviar das normas e o empregado fica submetido a condições profissionais degradantes. Nesse sentido, é possível perceber que essa dinâmica se assemelha à Revolução Industrial, período no qual não haviam leis trabalhistas, o que facilitava a exploração dos empregados, os quais passavam até dezesseis horas a trabalhar em condições desumanas. Em suma, é lamentável que uma realidade tão próxima ao trabalho escravo, há séculos, ainda esteja presente em nossa sociedade, visto que isso reflete a precarização da dignidade dos trabalhadores.

Outrossim, vale salientar que a falta de oportunidade de profissionalização da classe pobre colabora com o aumento do emprego informal, tendo em vista que esse tipo de ocupação exige pouca ou nenhuma especialização e, por isso, possui uma grande oferta. Sob essa óptica, nota-se um falha na postura do poder público, pois a Constituição Federal prevê como dever do Estado assegurar a empregabilidade e a formação social para o trabalho. Entretanto, isso não ocorre de modo efetivo, haja vista que os cidadãos pobres e desempregados, sem amparo do governo, muitas vezes não têm outra opção senão trabalhar informalmente, por ser algo acessível. Desse modo, é inadmissível a permanência dessa conduta por parte do Estado, porque ela perpetua a exploração e a  desigualdade social.

Urge, portanto, a necessidade de ações para a diminuição do subemprego e sua extorsão cruel. Para tanto, cabe ao Ministério do Trabalho e Previdência, em parceria com o Ministério da Educação, implementar  o aumento de instituições de cursos técnicos profissionalizantes nos locais mais carentes do país, a fim de qualificar os cidadãos de baixa renda para o mercado de trabalho formal, por meio da oferta variada de áreas de atuação, e, ainda, que o governo gere emprego por meio do aumento de vagas para consursos públicos a fim de que esses indivíduos saiam da situação de vulnerabilidade social. Logo, objetiva-se colocar um fim na exploração trabalhista, tão falada por Karl Marx.