A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 27/10/2021
Ainda no século XX, Tempos Modernos, obra de Charlie Chaplin, resolveu mostrar de forma caricata e paródica as intensas mudanças que a sociedade vinha sofrendo desde a revolução Industrial, colocando em evidência o quão abusivo o trabalho estava ficando, e o quão descartável o trabalhador vinha se tornando. Saindo do passado e observando o presente, percebe-se que tais características permanecem na atualidade, embora tenha se tornado uma violação muito mais sutil. Atráves desta ótica, se vê necessário debater como esse processo ocorre, e porque cada vez mais, este se torna difícil de ser extinguido do cenário trabalhista.
Em primeiro momento, é essencial entender que, advindo do processo de Neo-Colonialismo e eventual Industrialização, o cidadão médio foi gradativamente deixando de ser visto como indivíduo para ser visto como número, colocando em foco a produção em massa e distanciamento do trabalhador ao que ele produz. Atualmente, apesar de várias mudanças, criações de sindicatos e reivindicações, o trabalho continua em quase mesmo grau exploratório, prova disso é a relação da carga-horária do cidadão médio ao quanto ele ganha, um quociente tão não sustentável que dificilmente dá oportunidade àquele indivíduo de subir na estratificação social, termo proposto por Max Weber para demonstrar os níveis de poder de cada camada que formam a sociedade.
Associado a isto ainda se vê o fato de que, como sugerido pelo Geólogo Milton Santos, o mundo se encontra na era técnico científico informacional, onde se é tão inundado por informações e cobranças que o trabalhador médio passa tanto tempo se preocupando com a própria sobrevivência que perde qualquer oportunidade de melhorar sua vida. Chega-se num ponto que como o conceito do exército de reserva explica: mesmo que um cidadão decida abandonar seu emprego como forma de protesto ou melhor oportunidade, essa tentativa provavelmente será em vão ou insignificante, tendo em vista que existem outros milhares esperando para cobrir aquela mesma vaga, e outros milhares na fila de outro emprego que não requer mão de obra qualificada. Isto é corroborado pelo fato de que 14.1 milhões de Brasileiros seguem desempregados, como observado no último censo do IBGE.
Com todas essas crises, se mostra imprescindível que o Governo - por reger a unidade nacional, porém mais especificamente em âmbito executivo - procure, através de drásticos ajustes nos níveis de impostos, valores de salários mínimos e leis de incentivo, a melhor remuneração de trabalhadores mais abastados, além de mais investimento em oportunidades de educação para o país em questão, visando a consciência do trabalhador de seu valor como indivíduo, e quem sabe assim, a triste caricatura do operário de Tempos Modernos não será uma analogia tão real, e sim uma distante memória.