A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 07/11/2021

Djamila Ribeiro, filósofa e acadêmica brasileira, defende o ideal de que é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Sob essa ótica, observa-se a pendência de muitas problemáticas ainda ignoradas na sociedade moderna, tal como a exploração trabalhista. Isso ocorre, seja pela crescente taxa de desemprego, seja pelo descaso, por parte dos empregadores, com o bem-estar de seus funcionários. Logo, torna-se evidente que esse cenário deve ser solucionado com urgência.

A princípio, ressalta-se que há, no Brasil, uma insuficiência de políticas públicas em relação ao alto número de indivíduos desempregados. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 14 milhões de brasileiros estão desocupados, o que fomenta a busca por trabalhos informais. Nesse sentido, vale mencionar a série coreana “Round 6”, na qual diversos cidadãos, endividados e desamparados, se submetem à um jogo mortal na tentativa de ganhar um prêmio em dinheiro. Fora da ficção, é fato que os desempregados também ficam à mercê de situações degradantes, como os serviços de má renumeração e longos expedientes. Assim, infere-se que o alarmante índice de desempregos, somado à omissão estatal, arquitetam esse lastimável panorama.

Ademais, é igualmente necessário apontar a negligência dos patrões com a saúde física e psicológica de seus operários. Isso porque, como afirmou o sociólogo Karl Marx, o serviço assalariado é definido como a atividade sobre a qual o ser humano vende sua força de trabalho, recebendo em troca o suficiente para sua subsistência. Logo, torna-se possível a exploração do trabalhador, que passa a ser visto somente como um instrumento para gerar lucro aos empregadores. Desse modo, a desumanização dos servidores é responsável por gerar abusos físicos e emocionais, agravando o lamentável  cenário em que as relações empregatícias se encontram.

Diante dos desafios apresentados, é imprescindível a atuação governamental para combatê-los. Para tanto, cabe ao Ministério do Trabalho a ampliação dos direitos dos trabalhadores, por meio da criação de leis que os amparem em situações vúlneráveis, a fim de promover um ambiente de trabalho seguro e saudável para todos. Além disso, os órgãos públicos devem atuar ativamente no combate ao desemprego e também na assistência para com os desempregados, o que pode ser efetivado através do incentivo à iniciativa privada e da elaboração de projetos sociais. Mediante tais medidas, a chaga social da exploração trabalhista poderá deixar de existir como uma pauta silenciada para, finalmente, ser combatida.