A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 06/03/2022

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à realidade de muitos trabalhadores na sociedade moderna, que são submetidos a uma intensa exploração e a condições desumanas. Isso ocorre seja pela insuficiência legislativa, seja pela desigualdade socioeconômica.

Nesse sentido, é válido retomar o aspecto supracitado quanto à ineficiência das leis existentes. Em 1943, foi promulgada a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), cuja função é intermediar as relações entre empregadores e empregados. Entretanto, tal teoria não tem sido vista em metodologias práticas, uma vez que ainda existe uma enorme exploração no âmbito trabalhista, submetendo, muitas vezes, o trabalhador a graves problemas físicos, morais ou até psicológicos. Portanto, nota-se que a lei, ainda que existente, é insuficiente para o problema.

Ademais, é válido debater sobre como a má distribuição de renda corrobora com o problema. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, mais de 40% da população brasileira trabalha sem carteira assinada, ou seja, sem nenhum tipo de lei trabalhista ou salário fixo. O número alarmante de empregados nesse tipo de trabalho pode ser explicado pela desigualdade econômica, dado que, devido à falta de dinheiro, muitas pessoas possuem o subemprego como a única forma de mantimento, mesmo que em condições deploráveis.

Em suma, nota-se a necessidade de medidas para combater esse grave cenário. Em primeiro plano, o Poder Legislativo - ao qual compete fazer as leis- deve acrescer punições mais severas, por meio de modificações nas leis trabalhistas já existentes, tornando-as mais eficazes. Além disso, o Ministério de Trabalho deverá investir recursos para a criação de um programa no qual se possa fazer denúncias e que inspecione, periodicamente, empresas públicas e privadas, a fim de monitorar as condições dos trabalhadores. Através dessas ações, a exploração no âmbito trabalhista será reduzida significativamente, e o Brasil se tornará um país mais justo, onde todos são igualmente vistos.