A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 01/05/2022
Na música “Admirável Chip Novo”, a cantora Pitty alude a uma mecanização que rege os seres humanos, como expressam os versos: “Pane no sistema/ alguém me desconfigurou/ onde estão meus olhos de robô?” Fora das cifras, no Brasil, a realidade não destoa da canção, haja vista a exploração trabalhista na sociedade moderna. Esse cenário resulta de um árduo processo histórico, o qual é fortalecido na contemporaneidade com o avanço das tecnologias.
Diante dessa conjuntura, cabe analisar o contexto da Primeira Revolução Industrial, quando a maquinufatura substituiu o processo manufatureiro, submetendo o operário às máquinas e a um extensivo trabalho produtivo. Dessa maneira, os trabalhadores eram cercados por uma extensa carga horária, acompanhada de insalubres condições de vida e baixa remuneração. Assim, entende-se que a exploração trabalhista possui profundas raízes históricas, as quais se perpetuaram ao longo dos séculos.
Outrossim, vale discutir os frutos de um processo histórico deturpado para a exploração trabalhista na sociedade moderna. Nesse sentido, avalia-se a inserção dos meios de comunicação como principais instrumentos coercitivos século XXI, já que o trabalho perpassa os limites presenciais e os horários estabelecidos, por meio de cobranças e comunicação entre patrões e empregados nas redes sociais nos supostos turnos livres. Diante disso, surge a “Síndrome de Burnout”, distúrbio emocional de esgotamento físico e mental que afeta diversos trabalhadores na contemporaneidade por excesso de trabalho e autocobrança, expondo os efeitos de um sistema abusivo e desigual.
Logo, medidas são necessárias para combater a exploração trabalhista na sociedade brasileira. Assim, cabe ao Ministério Público capacitar agentes fiscalizadores que atuem de forma mais efetiva em todo território nacional, por meio de intervenções periódicas em postos de trabalho para coletar irregularidades trabalhistas e punir infratores da legislação do trabalho. Tal ação deve contar com profissionais do Ministério do Trabalho e o Tribunal de Justiça, a fim de garantir os direitos previstos na Constituição Federal e evitar que as pessoas virem os “robôs desconfigurados” da música de Pitty.