A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 04/07/2022

Em 1943, o estabelecimento da Consolidação das Leis Trabalhistas representou um grande avanço para os direitos dos trabalhadores brasileiros. Contudo, no Brasil hodierno, o problema ligado à exploração trabalhista representa um retrocesso dessa conquista. Nesse sentido, é essencial discutir a flexibilização legislativa como causa desse cenário preocupante, e comprometimento do bem-estar dos trabalhadores como consequência disso.

Sob essa ótica, a princípio, as recentes mudanças nas leis trabalhistas abrem precedentes para a exploração dos trabalhadores. Acerca disso, a Reforma Trabalhista de 2017 flexibilizou, por exemplo, a relação empregador-empregado, o que facilita a supressão da CLT em alguns casos. Com isso, a submissão de trabalhadores aos requisitos patronais – comumente insalubres e exploratórias – tornou-se cada vez mais frequente. Assim, parte da camada trabalhadora constantemente não tem acesso a condições dignas de trabalho.

Consequentemente, o bem-estar desses indivíduos é ameaçado. Essa realidade é exemplificada no trecho “Eu acordo para trabalhar, eu durmo para trabalhar” da música “Capitão da indústria”, da banda Paralamas do sucesso. Isso posto, cria-se o que o filósofo Byung-Chul Han conceitua como “sociedade do cansaço", em que tem-se um esgotamento físico e mental decorrente da excessiva produtividade dos indivíduos. Desse modo, a exploração trabalhista prejudica a saúde e o bem-estar das pessoas, uma vez que o mercado de trabalho demanda cada vez mais esforços e tempo livre dos trabalhadores.

Portanto, a fim de superar os problemas causados pela exploração laboral, urge que o Ministério do Trabalho, principal agente investidor nesse âmbito, promova campanhas de combate a condições abusivas de trabalho no país. Essa ação seria feita por meio de verbas destinadas à contratação de mais fiscais trabalhistas, os quais visitariam periodicamente as empresas e estabelecimentos comerciais das cidades. Dessa forma, espera-se que a exploração deixe de representar mais um retrocesso nas conquistas dos trabalhadores.