A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 21/09/2020

A obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, retrata a história de um funcionário público que pretendia valorizar a cultura brasileira por meio do reconhecimento da língua tupi como língua nacional pois, segundo ele, os índios eram os verdadeiros brasileiros. Na hodiernidade, entretanto, tal valorização não ocorre, conforme observado com a extinção de línguas indígenas no Brasil. Faz-se necessário, portanto, debater as causas e consequências da questão, a fim de atenuá-la.

Diante desse cenário, é importante ressaltar os motivos que influenciam a perda gradativa de falantes de um dialeto, como o contato com outros povos e a desvalorização da cultura indígena, por exemplo. Muitas vezes, devido à necessidade ou por falta de políticas públicas visando a preservação dos povos, estes se veem obrigados a abdicar da própria língua para se inserir na sociedade, o que provoca a extinção de inúmeros idiomas. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), o Brasil é o 3° país com maior número de línguas ameaçadas, o que revela o descaso governamental e a necessidade de mudança.

Por conseguinte, ainda convém lembrar as consequências do entrave, como o desaparecimento não só da língua, como também da cultura e dos conhecimentos acumulados de um povo. Os dialetos contêm informações essenciais sobre a história de um grupo, e a impossibilidade de transmissão é uma grande perda para o estudo das diferentes raízes étnicas que formam o Brasil. De acordo com o pensamento de Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento acerca do mundo. Assim, o desaparecimento de línguas impede o seu conhecimento, o que evidencia a gravidade do problema.

É perceptível, dessa forma, que a extinção de dialetos indígenas é uma problemática na contemporaneidade e, por isso, é imprescindível que o Governo reduza o problema, por meio do maior direcionamento de verbas, as quais serão aplicadas em fundações, com o objetivo de possibilitar aos grupos conservar a sua história, com auxílio de historiadores, a fim de evitar a perda de toda a cultura de gerações. Ademais, é necessário que as escolas promovam a valorização do grupo os alunos, por meio de aulas direcionadas, nas quais profissionais qualificados expliquem a importância dos povos indígenas, em busca de criar uma maior integração destes na sociedade. Dessa maneira, será possível minimizar o problema, assegurando que a sociedade idealizada pelo personagem de Lima Barreto possa se concretizar.