A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 06/12/2020
No livro ‘‘O ceifador’’ é mostrado como algumas mudanças ocasionaram na ruptura de diversos hábitos e crenças, tudo isso motivado pelo descaso com estas tradições. Todavia, não é somente na ficção que algumas tradiçõesx são perdidas, posto que, segundo o site BrasilEscola, no Brasil de 2019 existiam pouco menos de 200 línguas indígenas ainda faladas em nosso território, o que equivale a apenas 10% do total que existia no início da colonização da nação brasileira. Desse modo, cabe debater quais ações corroboram para a persistência dessa prática e quais medidas podem ser usadas para reverter essa realidade.
De início, deve-se destacar que, segundo o filósofo Emile Durkheim, o fato social é como a sociedade propaga determinados comportamentos para que eles sejam aceitos e vistos como os únicos corretos. Ademais, essa tática de manipulação é, mesmo que de forma não intencional, utilizada na descriminação dos idiomas das populações aborígenes do Brasil, dado que segundo a Constituição de 1998, a única língua que é considerada oficial e que deve ser ensinada nas escolas além do inglês e espanhol será o dialeto português. Destarte, ao limitar todas as outras formas de comunicações, diminui-se as possibilidades dos estudantes de aprenderem outros falas nacionais como o tupi, além de tornarem essas mesmas expressões em vocabulários com poucas ou nenhuma funcionalidades.
Em segundo lugar, vale ressaltar que, para o positivismo, a destruição de comunidades pouco evoluídas é uma ação justificável e que contribui para o progresso dos povos. Outrossim, essa ideologia além de ser obsoleta para os dias atuais também é um fator que compromete a cultura nativa como um todo, haja vista que, são pensamentos como estes que fazem com que o conjunto de leis nacionais promulgado em 1988 não criminalizem de forma rigorosa a devastação gradativa da reservas indígenas. Dessa maneira, a negligência com os comportamentos aborígenes assim como com seus territórios é um fator que deve ser mudado imediatamente, visto a probabilidade desta prática possibilitar a extinção de sociedades inteiras.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, cabe aos três poderes somado ao Ministério de Educação, criar medidas que possibilitem o respeito e a preservação das culturas dos autóctones. isso pode ser feito por meio da formação de uma nova grade curricular que acrescente o tupi e outras linguagens aos conteúdos ensinados nas escolas públicas, além de reformar a Constituição brasileira, de forma a oficializar todos os idiomas indígenas e formular leis rígidas quanto a demarcação de terras dos nativos. Dessa forma, será possível evitar o triste desfecho que ocorreu na obra supracitada.