A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 01/10/2020

O Romantismo, escola literária do século XIX, em sua fase indianista valorizou a língua e a cultura das populações nativas do Brasil. Todavia, atualmente, a preservação desses idiomas é negligenciada, por conta da inobservância estatal, da qual deriva uma insuficiência de recursos para resolver essa mazela. Diante disso, essa problemática tem como consequência nefasta a extinção das línguas desses povos.

É importante destacar, em princípio, que há uma insuficiência legislativa na preservação dos idiomas de nações indígenas. Segundo o conceito “cidadão de papel” de Gilberto Dimenstein, embora muitos direitos sejam garantias legais, não são aplicados. Nesse sentido, a extinção dos idiomas nativos expressam essa teoria, uma vez que a Constituição federal, mesmo que atribua ao Estado a proteção da cultura indígena, ela não é cumprida. Isso se torna evidente a partir dos dados da Organização das Nações Unidas, os quais apontam que 90% dos idiomas nativos do Brasil estão extintos. Dessa forma, torna-se indubitável que o governo é inobservante nessa questão.

Como consequência disso, constitui-se um impecilho para a preservação de línguas nativas. Historicamente, grande parte dos povos desenvolveram sua linguagem com caráter oral, e por isso não têm registros concretos dela, tais como livros. Nesse contexto, para garantir que essas tradições orais sejam perpetuadas, pesquisadores da UNICAMP criaram o “dicionário oral”, que tem por objetivo conservar esses idiomas. Entretanto, essa iniciativa tem como principal obstáculo a diminuição dos financiamentos públicos na educação, comprovada pela redução de 2 bilhões de reais nesse setor, em 2020. Desse modo, a diminuição massiva de investimentos nas Universidades sustenta essa problemática.

Fica evidente, portanto, que o Estado é o principal responsável pela extinção das línguas indígenas. Dito isso, urge que as Organizações não governamentais - como responsáveis por suprir as ausências estatais - garantam a preservação desses idiomas, por meio de parcerias com as Universidades, como a UNICAMP, nas quais haverá união de recursos financeiros e intelectuais, para que essa extinção seja atenuada. Outrossim, o Poder Executivo deve criar um fundo de investimento para fomentar a pesquisa nessas instituições. Com essas medidas, o Brasil resgatará o ideal de valorização da cultura e língua indígena.