A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 18/09/2020
No livro “1984”, de George Orwell, acompanhamos uma sociedade fortemente oprimida que tem sua cultura e valores controlados. Ademais, a manipulação se dá por meio de sucessivas censuras ao linguajar comum, prezando a existência da “Novilíngua”. Assim como na obra de ficção, a extinção da língua dos povos indígenas é consequência das ameaças constantes às comunidades e da herança histórica brasileira.
Em primeira análise, é fulcral pontuar que as comunidades indígenas têm papel essencial na manutenção e preservação das suas línguas. Políticas recentes favoráveis à desapropriação das terras indígenas, bem como, à ameaça às instituições responsáveis por sua proteção (FUNAI, por exemplo), colocam em risco sua existência. Com isso, essa flexibilização da lei favorece a extinção gradativa desses povos originários e, com eles, sua identidade linguística.
Em segundo plano, grande parte dessa desvalorização da sociedade brasileira frente às línguas indígenas advém da nossa herança histórica. É possível notar esse fenômeno desde o início da colonização, no século XVI, onde as missões jesuíticas promovidas por Portugal visavam “civilizar” os indígenas reprimindo sua cultura. Com efeito, a visão eurocêntrica que torna secundária qualquer cultura diferente da sua própria está enraizada na sociedade contemporânea.
Destarte, frente ao que fora apresentado, vêem-se necessárias intervenções a fim de sanar esse problema. Portanto, para evitar a extinção de línguas indígenas no Brasil, urge que o Ministério da Cultura, junto ao MEC, promovam, por meio de matérias obrigatórias voltadas ao estudo da cultura indígena, uma mudança de perspectiva dos brasileiros frente as línguas em extinção. Por conseguinte, poderemos entender a causa e reivindicar não só a preservação das línguas como a reintegração das terras e cultura dessas comunidades. Somente assim, deixaremos de preservar só nossa “Novilíngua”, e preservaremos todas.