A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 19/09/2020

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, encontra-se o detalhamento de uma ilha, constituída por cinquenta e quatro cidades, que funcionava de forma perfeita e, assim, os utopianos, como eram chamados os habitantes, desfrutavam de um ambiente harmônico. No entanto, ao detectar a extinção de  línguas indígenas no Brasil, compreende-se uma nação que não contempla a civilização ilustrada por More. Em vista disso, tal situação demonstra ser fruto da desvalorização da cultura desse povo no país, mas também decorrente de uma instituição escolar pautada no ensino tecnicista.

Em primeiro lugar, conforme o filósofo Henrique de Lima, a modernidade se assenta em um enigma de uma civilização tão avançada em suas razões teóricas e, por sua vez, tão primitiva em suas razões éticas. Sob esse prisma, analisa o tratamento direcionado à cultura indígena no país, uma vez que apesar de a Constituição Federal garantir o respeito e a proteção de tal cultura, nota-se uma realidade que não dialoga com essa afirmação. Prova disso é a extinção das línguas desse povo na nação. Desse modo, percebe-se que esse cenário possibilita a perda da identidade dessa parcela da população, posto que a língua é um dos elementos que demonstra  a construção de uma sociedade ao longo dos séculos.

Ademais, o filósofo Immanuel Kant argumentou que, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Nesse sentido, percebe-se que as escolas representam o local propício para o desenvolvimento de uma população que valoriza a diversidade presento no seu país. Nesse sentido, ao detectar uma conjuntura  que permite a dizimação de línguas indígenas, percebe-se uma instituição que não dialoga com a sua função. Isso é decorrente de um ensino tecnicista, o qual sobrepõe ao construtivista. Assim, uma escola que não se fundamenta na realidade que o indivíduo está inserido e nas problemáticas que o cerca dificulta a formação de um ambiente que respeita as suas matrizes.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, cabe a esse órgão, mediante repasse de verbas governamentais, traçar políticas públicas que coíbem a extinção de línguas indígenas na nação. Nesse viés, a escola, por meio de sociólogos e historiadores,  realizará palestras e debates fundamentados na importância da língua na formação da identidade de uma sociedade, para que, a partir de um ensino construtivista, possa desenvolver no seio social o respeito e a proteção à cultura do índio. Diante disso, uma população que valoriza a diversidade presente em seu país reverbera a civilização utopiana.