A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 18/09/2020

“O Brasil é um país de escravos que teimam em ser homens livres.” A frase do poeta Oswald de Andrade ilustra uma realidade do Brasil, que possui uma história marcada pela subversão dos povos indígenas por culturas eurocentristas, uma das consequências dessa imposição cultural tem sido a cada dia mais crescente extinção das línguas indígenas no Brasil.

Primeiramente, é importante notar que o descaso tem sido um fator determinante para o desaparecimento dessas linguagens. Desde o fim da escravidão, os antigos escravos se encontravam às margens da sociedade e vulneráveis ao apagamento por toda a cultura europeia agora predominante. Um símbolo desse desleixo na preservação de culturas indígenas no Brasil foi o incêndio do Museu Nacional, um acidente causado por um abandono financeiro e administrativo, sendo responsável pela perda do pouco que restava de linguagens hoje já inexistentes.

Entretanto, as perdas vão além do que é falado e escrito, um dos principais efeitos negativos do sumiço dessas linguagens é a incapacidade de reproduzir conhecimentos pertencentes àqueles povos, o poeta Roland Barthes vai dizer que a linguagem é como uma pele, permite o contato entre as pessoas, tornando assim, o sumiço de culturas indígenas o sumiço da nossa conexão com essas pessoas que compõem a história do Brasil.

Destarte, é notável a importância da preservação das línguas indígenas brasileiras, tornando papel do Governo Federal, através da Secretaria da Cultura, prover verba e meios administrativos para que museus pelo Brasil possam manter os registros dessas culturas tão vulneráveis, fazendo as necessárias modernizações e reformas, além da contratação de funcionários que garantirão que esses conhecimentos sejam protegidos.