A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 18/09/2020

“Quando o português chegou, debaixo de uma bruta chuva, vestiu o índio. Que pena! Fosse uma manhã de Sol, o índio tinha despido o português”. Oswald de Andrade, em sua poesia, reflete sobre a chegada dos portugueses ao Brasil e a imposição da cultura europeia sobre a indígena. Nesse sentido, a língua, assim como a vestimenta, é uma característica ímpar de um povo e, quando perdida, leva consigo sua história. Por isso, problemas relacionados ao tema, como a aculturação e a ausência de pertencimento dos índios devem ser amplamente discutidos.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que o processo de aculturação - adaptação de um povo à uma cultura dominante - acontece no Brasil desde a chegada dos primeiros europeus. Assim, mesmo que alguns elementos ameríndios tenham sido incorporados pelos brancos, como a rede, essa troca não foi equivalente. A exemplo disso, é possível relembrar o projeto de Marquês de Pombal, em 1758, quando instituiu o português como língua única do Brasil e proibiu o ensino do Tupi.

Ademais, a respeito da ausência de pertencimento dos índios com suas origens, é possível fazer uma analogia com o “American Way of life”, em que o estilo de vida estadunidense era o mais almejado e, portanto, as outras nações deviam adequar-se. Em paralelo, o que acontece, no Brasil, é uma tentativa de muitos jovens indígenas se adequarem ao padrão branco, já que é o que se tem como correto. E, então, se os filhos desses jovens são criados distantes de suas origens, não aprenderão a língua e os costumes do seu povo e, assim, não se sentirão pertencentes àquela tribo.

Sintetiza-se, pois, que os problemas relacionados à extinção das línguas ameríndias são históricos e necessitam de reparação. Para isso, as universidades devem formar profissionais da educação indígenas, e não-indígenas, prontos para ensinar a língua de um local sem que haja sobreposição de uma cultura sobre a outra, por meio de aulas com pessoas que moram em tribos. Dessa forma, os nativos tenderão a não serem mais vestidos pela cultura alheia, perpetuando sua própria língua.