A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 19/09/2020

Não só açúcar, deixou-nos Pedro Álvarez Cabral

A história de formação do Português brasileiro foi marcada pela diversidade étnica e cultural, decorrente, em grande parte, das civilizações indígenas. No que concerne a atualidade, contudo, a crescente extinção de línguas características desses povos, evidencia que raízes coloniais ainda persistem no Brasil. Isso se deve ao etnocentrismo existente na sociedade, bem como, à ausência educacional.

É importante destacar, antes de tudo, que o ato de usar a própria cultura como parâmetro de julgamento, estabelecendo relações de superioridade, corrobora com a banalização de línguas indígenas. Tal problema, foi originado desde a colonização brasileira pelo processo de aculturação feito pelos portugueses, isto é, a imposição forçada de uma cultura de modo a extinguir a de outros povos. Como consequência, o olhar etnocentrista de grande parte da população brasileira, não só desvaloriza o dialeto indígena, mas sua diversidade, o que é uma bolha sociocultural preocupante.

Aludindo a Daniel Munduruku, filósofo indígena: “É fundamental que os alunos percebam a importância de sermos um país tão diverso e múltiplo”. O que significa que a escola, assume grande impacto na preservação da língua indígena, uma vez que, cabe à ela, a formação educacional que valorize a diversidade cultural brasileira. Entretanto, o atual sistema educacional do país, restringe ao dia internacional do índio, frequentemente, temáticas com abordagem indígena, e isso, é um entrave.

Portanto, é preciso reduzir a extinção de línguas indígenas no país. Cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), adicionar à grade nacional comum curricular (BNCC), materiais de apoio à cultura dos índios brasileiros. Para haver eficácia, é necessário que a aplicação seja regular e obrigatória nas salas de aula. Com isso, espera-se que o índio seja valorizado definitivamente a longo prazo, não só no dia do internacional dos povos indígenas.