A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 19/09/2020
De acordo com o artigo 232 da Constituição federal brasileira de 1988, também conhecida como Constituição Cidadã, é dever do Estado proteger a cultura indígena nacional. Sendo assim, a Lei das Diretrizes e Bases, em tese, garante a valorização vocabular dessas organizações. Entretanto, o ineficaz exercício metodológico dessa função agrega o processo de extinção das línguas indígenas no Brasil, tendo em vista que esse impasse é existente desde a chegada dos portugueses em 1500. Nesse sentido, convém analisar a principal causa e consequência dessa problemática para nação.
Em primeira análise, Michel de Montaigne, filósofo do século XVI, por ter vivido durante a descober-ta da América e subsequente miscigenação cultural entre europeus e nativos, afirmou que as crianças devem ser educadas em concordância com a própria cultura étnica. Sob essa óptica, é válido ressal-tar que apesar da língua portuguesa do Brasil ser também oriunda da indígena, enquanto essa é ensi-nada nas escolas, esta, muitas vezes, não é apresentada aos alunos, o que tem impacto negativo para perpetuação no país. Dessa forma, torna-se claro que a não presença dessa linguagem na educação brasileira é intrínseca ao problema supracitado.
Ademais, Anthony Giddens, sociólogo contemporâneo, por intermédio do livro Mundo em Descontrole, relata que uma sociedade sem noção de pertencimento é predeterminada a adotar depreciação às políticas públicas. Seguindo essa linha de raciocínio, é possível afirmar que se a população não conhece a morfologia histórica do Brasil ela fica suscetível a ter sensos que fogem aos princípios de cidadania previstos pela Constituição. Dessa maneira, é evidente que se no futuro a extinção da língua indígena for concretizada, o desconhecimento provavelmente trará consequências, como: aumento nos casos de racismo e preconceito étnico contra as vítimas desse legado.
Portanto, para que a ideia de Montaigne não seja apenas uma proposição teórica e que o relato de Giddens seja contrário a sociedade brasileira, é necessária ação do governo. Dessarte, o Ministério da Educação deve, mediante interferência nas grades curriculares do ensino básico, inserir, de maneira exemplificada, o estudo das línguas indígenas ao repertório sociocultural dos alunos com o fito de, metodologicamente, apresentar a grande variedade linguística existente nessa organização e, consequentemente, conscientizar sobre a importância dessa população para cultura nacional. Em suma, somente dessa forma, certamente, a Lei das Diretrizes e Bases estará agindo em consonância ao que foi estabelecido pela Constituição Cidadã.