A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 21/09/2020
Em “Triste fim de Policarpo Quaresma”, o protagonista patriota defende a oficialização do tupi-guarani como idioma do Brasil, pois valoriza extremamente todo tipo de cultura originada em território nacional. Porém, poucos cidadãos pensam como o personagem de Lima Barreto, o que faz com que as línguas indígenas sejam desprestigiadas na sociedade e extintas devido a um processo histórico de aculturação e à desvalorização desses povos.
Primeiramente, é importante lembrar que, para um idioma existir, é necessário haver pessoas que façam uso dele para se comunicar. Durante o Período Colonial, as populações nativas do território brasileiro sofreram uma forte aculturação, tendo que abandonar seus próprios costumes para aderir àqueles impostos pelos europeus. Até hoje pode-se perceber que esse processo apagou parte importante da cultura desses povos e, por conseguinte, fez com que muitos idiomas indígenas entrassem em extinção por caírem em desuso.
Além disso, as comunidades nativas são frequentemente desvalorizadas, o que faz com que tais povos passem a ser invisibilizados em âmbito social. Segundo o jornal “Folha de São Paulo”, os indígenas precisam esconder sua origem ao disputar vagas no mercado de trabalho, e, mesmo assim, costumam conseguir apenas ofícios mal remunerados. Desse modo, nota-se que a exclusão desses indivíduos na sociedade faz com que muitos deles tenham que abandonar sua cultura para que se sintam minimamente incluídos.
Sendo assim, fica visível a necessidade de uma maior preservação das línguas indígenas no Brasil. Para isso, cabe ao Governo, por meio do Ministério da Educação, criar cursos de idiomas com a participação de membros das comunidades indígenas e da Fundação Nacional do Índio, e disponibilizá-los gratuitamente à população por meio da internet, com o objetivo de garantir que essas línguas não sejam extintas. Só assim o brasileiro compreenderá melhor os ideais de Policarpo Quaresma.