A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 19/09/2020
Na mitologia grega, Cassandra é uma sacerdotisa com o dom de ver o futuro, mas vítima de uma maldição que faz com que ninguém acredite em suas profecias. Na contemporaneidade, muitos linguistas têm alertado a sociedade sobre o risco da extinção das línguas indígenas. No entanto, como Cassandras modernas, seus avisos são ignorados e, como consequência, 69% das línguas nativas que restaram, correm risco iminente de desaparecer, segundo o Atlas das Línguas em Perigo, da Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (UNESCO). Dessa forma, convém analisar a desvalorização dos indígenas e a falta de atuação do governo como pilares fundamentais da problemática.
A princípio, é fulcral pontuar que a falta de reconhecimento da cultura indígena no Brasil impulsiona o problema. De acordo com os registros históricos, durante o período de colonização da América pelos portugueses, a língua portuguesa foi imposta aos nativos para que a catequização desses povos se tornasse mais fácil. Nesse sentido, é possível constatar que desde que os aborígines tiveram contato com outros grupos étnicos, sua cultura foi vítima do etnocentrismo, e, infelizmente, essa desvalorização da cultura indígena ainda persiste no país. Sendo assim, verifica-se que a falta de reconhecimento da importância dos grupos indígenas para a pátria possui raízes históricas, e permanece no corpo social devido a falta de conscientização da população.
Outrossim, vale ainda ressaltar que a negligencia do governo diante do desaparecimento das línguas indígenas favorece para que esse quadro problemático perpetue. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser usada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Entretanto, a falta de medidas do governo para frear a extinção das línguas nativas, rompe essa harmonia. Desse modo, a política, que deveria assegurar que as línguas indígenas continuem presentes na cultura do Brasil, deixa de cumprir seu papel e torna o cenário propício para que o desaparecimento dessas línguas continue ocorrendo.
Infere, portanto, que iniciativas são necessárias para que os linguistas deixem de ser Cassandras modernas e o país não sofra perca cultural. Logo, a escola, com seu poder transformador, deve criar debates por meio de atividades extra nas aulas de história e sociologia, a fim de conscientizar os estudantes da importância da valorização da cultura indígena. Ademais, o governo, por intermédio do Ministério da Educação, deve ajudar as tribos indígenas a manterem suas línguas vivas, por meio de investimento em materiais para estudo e infraestrutura, com o intuito de proporcionar um ambiente em que os indígenas consigam criar grupos de estudo para passar seu língua para as próximas gerações.