A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 21/09/2020
Um grave acidente, em 1985, aconteceu na usina nuclear de Angra do Reis, perto da aldeia guarani de Sapukai. Esse lugar era chamado pelos índios tupinabás de Itaorca, que quer dizer “pedra podre” na extinta língua tupi. Caso os engenheiros pesquisassem a história local, poderiam ter evitado a tragédia ao redimensionar a obra para suportar tal fragilidade do solo. Esse fato evidencia a importância de se preservar as línguas indígenas como arquivo histórico e pilar do conhecimento que antecedem aos registros de Terra de Vera Cruz.
Em primeiro lugar, ressalta-se o desdém como a sociedade trata o legado indígena ao não se apropriar da língua deles como um acervo histórico no processo de desenvolvimento e tomada de decisão. Para o historiador José Bessa Freire: “A língua é o arquivo da história, é a canoa do tempo por levar conhecimento de uma geração para a outra”. Baseado nesse pensamento, percebe-se: sempre que uma língua nativa é extinta perde-se conhecimentos genuínos adquiridos por séculos. Logo, necessário se faz evitar a extinção das línguas indígenas remanescente no Brasil não só em favor da sociedade, mas, também, em respeito a cultura desse povo.
Em segundo lugar, a raiz do conhecimento de uma nação tem como fulcro as descobertas, hábitos e modo de sobrevivência dos habitantes pioneiros que são transmitidas às gerações futuras por meio da fala, especialmente entre povos que não desenvolveram a escrita, como é o caso dos índios Brasileiros. De acordo com a UNESCO, no Brasil, este conhecimento está prestes a desaparecer em face ao processo de extinção dessas línguas que já superam 92% do total outrora falado. Diante disso, é urgente preservar e manter viva as línguas nativas como base estrutural do conhecimento do país.
Infere-se, à vista disso, que a extinção das línguas indígenas afetam os alicerces do conhecimento e histórico da nação. Assim sendo, é preciso que o Governo Federal em parceria com as Academias de Letras cataloguem e normatizem essas línguas por meio de uma gramática escrita. Para isso, terá que selecionar linguistas especializados para elaborar e consolidar o trabalho com a participação de representantes indígenas que saibam traduzir os significados orais para a escrita. Desse modo, preserva-se a história e reconhece-se o valor do conhecimento pregresso em benefício de toda a humanidade, inclusive, na prevenção de desastres como o que ocorreu na usina nuclear de Angra dos Reis.