A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 20/09/2020

No livro “Nove Noites”, escrito por Bernardo de Carvalho, o narrador se propõe a investigar o suicídio cometido pelo historiador Buell Quain quando estava em uma tribo indígena brasileira. Na trama, o autor revela os aspectos peculiares da cultura indígena e a eminente extinção do dialeto dos primeiros habitantes do país. Analogamente, no Brasil Pós-Moderno, a extinção das línguas indígenas se vê, de fato, atrelada ao genocídio colonial e à desvalorização nacional. Diante desse exequível cenário, faz-se indispensável o debate acerca da proposição de intervenções que o mitigue.

Mormente, ao tomar como norte uma esfera estritamente histórica acerca da primazia genocida cultural, nota-se a chegada dos portugueses ao Brasil, no século XVI. Nesse ínterim, as epidemias de doenças advindas da Europa, a imposição do trabalho compulsório e o processo de aculturação fomentaram a dizimação dos nativos, haja vista o poder de persuasão dos europeus. Não obstante, tal fato contribuiu à extinção das línguas nativas, em um cenário que os detentores das  culturas locais foram exterminados pelo poderio bélico português e inibiram a manutenção da sua cultura na contemporaneidade.

Outrossim, vale ressaltar uma perspectiva sociológica em torno da manutenção do pensamento preconceituoso na sociedade brasileira. Nesse sentido, destaca-se a máxima de Albert Einstein, pai da teoria da relatividade, ao entender que seria mais fácil promover a desintegração de um átomo do que extinguir um preconceito enraizado. Do mesmo modo, a ideologia europeia de desvalorização das culturas coloniais se faz presente na contemporaneidade, haja vista a execrável extinção das línguas indígenas. Em suma, o processo de aculturação colonial inibiu o desenvolvimento das experiências indígenas na sociedade brasileira, em vistas da inexistência de políticas de valorização cultural e da perpetuação de ideologias preconceituosas no país.

As línguas indígenas, portanto, enfrentam uma barreira preocupante no Brasil. Desse modo, cabe ao Governo Federal, por meio das facetas midiáticas,  promover campanhas publicitárias que enfatizem a importância da manutenção da cultura indígena no país e a compreensão do processo de aculturação colonial promovido pelos portugueses. Tal medida prevê o fim das máximas preconceituosas e a valorização das experiências coloniais. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, principal órgão responsável pelo ensino no país, promover debates educacionais, com a partição de indígenas e historiadores, que objetivam a multipolarização das línguas indígenas no país, a fim de que inibam a eminente extinção das culturas nativas. Somente assim, atenuar-se-á o cenário preconceituoso, a exemplo da valorização promovida por Bernardo de Carvalho, em “Nove Noites”.