A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 21/09/2020
O filme Detona Ralph, produzido pela Disney, retrata a narrativa de um personagem que passa a negar o seu papel e identidade em um jogo de vídeo game, tentando, então, mudar a sua personalidade e forma de comportamento para ser melhor aceito pelos colegas e jogadores do console. A situação citada ilustra bem um relevante fator que contribui para a extinção de línguas indígenas no Brasil. Pois o distanciamento da própria identidade e forma de manifestação pelos povos originários da nação “verde e amarela”, em busca da aproximação com uma cultura diferente, pode ocasionar o desaparecimento de uma linguagem.
Em primeira análise, verifica-se que, com a presença de aparelhos celulares, rádio, televisão e internet nas aldeias, o acesso à cultura capitalista de massa tornou-se muito acessível. Em vista disso, considerando a pouca exploração da realidade indígena por essas diversas mídias, e uma grande valorização das práticas de outras sociedades, isso acarreta o desejo em um índio de uma busca inserção em outra cultura. Com isso, resultando no abandono de suas práticas e tradições, como a linguagem de sua tribo, por exemplo. Um exemplo dessa questão encontra-se na série brasileira “Povos da Floresta”, na qual um personagem abandona sua tribo para dedicar-se a uma nova dinâmica de trabalho em uma vila com o intuito de comprar objetos de seu desejo.
Em segunda instância, percebe-se a quantidade insuficiente de linguistas e pesquisas que explorem os idiomas indígenas no Brasil, que são muitos, sendo 274 línguas indígenas, conforme levantamento da Unesco. Com isso, há muitas linguagens brasileiras não estudadas e decodificadas, de forma que a gramática e fonética da língua não estejam seguras e resguardadas nas universidades. Estando, então, vulneráveis ao desaparecimento completo e sem possibilidade de resgate, caso o último indivíduo falante morresse.
Nesse sentido, objetivando a valorização da cultura e da consolidação da linguagem originária nos territórios indígenas, o Ministério da Educação deve criar o projeto federal “Língua Viva”. Nele, será repassado recurso próprio para os programas de pós-graduação envolvendo o estudo da linguística dos índios brasileiros objetivando o investimento em pesquisas e capacitação de professores das Universidades Federais - cabendo também a preparação de professores de línguas nas aldeias indígenas - para atuarem dentro das tribos. Os licenciados em letras ministrarão aulas afim de ensinar e valorizar o idioma e identidade para todos os integrantes da aldeia - em especial às novas gerações. Dessa forma, com o fortalecimento do idioma e da cultura, os povos indígenas não precisarão negar sua identidade e seu idioma para serem aceitos em outro meio, como fez o personagem Ralph do filme supracitado.