A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 22/09/2020
Na obra Utopia, o escritor Thomas More disserta sobre uma ilha que funcionava de forma perfeita, desse modo, os utopianos, como eram chamados os seus habitantes, desfrutavam de um ambiente harmônico. No entanto, nota-se que a população indígena, no Brasil, não usufrui do modelo de cidadania apresentado por More, tanto que percebe-se, um cenário de desvalorização dos índios que, nesse contexto, expressa-se na extinção de suas línguas. Diante disso, tal conjuntura é fruto do tratamento voltado para a cultura indígena na nação, como também exemplifica uma instituição escolar que pauta o seu ensino em uma linha tecnicista.
Em primeiro lugar, conforme o filósofo Henrique de Lima, a sociedade se assenta em um enigma de uma civilização tão avançada em suas razões teóricas e, por sua vez, tão primitiva em suas razões éticas. Sob esse prisma, verifica o tratamento direcionado à cultura indígena na nação, dado que apesar de a Constituição Federal garantir o respeito e proteção de tal cultura, nota-se uma realidade que não dialoga com essa afirmativa. Prova disso é que todas as línguas indígenas brasileiras estão ameaçadas de extinção em algum grau- de acordo com os dados do Atlas Mundial das Línguas. Em vista disso, uma conjuntura de desvalorização propícia a perda da identidade desse povo, uma vez que reconhece-se que a língua é um elemento de pertencimento, a qual caracteriza uma população.
Ademais, segundo o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Nesse sentido, compreende-se que a educação representa o fundamento que norteia o comportamento do homem. Consoante a isso, ao analisar o cenário de dizimação da língua indígena, percebe-se uma instituição escolar, a qual não baseia o seu ensino na valorização da diversidade presente no país. Assim, por esse ângulo, nota-se que tal postura se deve pela prevalência do ensino tecnicista, posto que esse não se ampara na realidade que indivíduo está inserido e nas problemáticas que o cerca, mas sim na formação de indivíduos competentes para o mercado de trabalho. Dessarte, a falta de uma didática pedagógica pautada na cidadania permite realidades como a vivenciada pelo índio no Brasil.
Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, cabe a esse órgão, mediante repasse de verbas governamentais, traçar políticas públicas que buscam coibir o cenário de extinção da língua indígena. Nesse viés, a escola, por meio de sociólogos e historiadores, realizará palestras e debates fundamentados na importância da língua para a preservação da identidade do índio, em que utilizará obras literários para embasar tal posicionamento, para que, a partir de um ensino que valoriza a cidadania, possa desenvolver no seio social o respeito e a proteção à cultura do nativo. À luz disso, construir-se-á uma civilização que reverbera os utopianos.