A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 21/09/2020
Desde a era “Brasil Colônia”, as civilizações pré-colombianas foram relegadas à condição de subserviência aos colonizadores europeus e ao trabalho escravo. Por consequência, tal historicidade, marcada por relações de dominação e violência, foi responsável pela significativa aculturação e extermínio étnico dos povos nativos. Com efeito, é mister analisar a extinção de línguas indígenas no Brasil hodierno, que constitui um resquício histórico do período colonial, bem como expor os fatores que perpetuam esse quadro: a negligência governamental e o descaso populacional.
A princípio, é imperativo pontuar que a Carta Magna de 1988 reconhece o direito à preservação cultural e linguística dos povos nativos. No entanto, tal preceito jurídico faz-se pouco efetivo em metodologias práticas, devido à falta de uma atuação eficaz do Poder Público no que tange à reparação de danos históricos. Isso comprova-se por meio de dados da Unesco, que revelam que todas as línguas indígenas restantes no em território nacional encontram-se em situação de vulnerabilidade e em ameaça de extinção. Desse modo, é essencial que haja políticas públicas mais efetivas para reverter o paradigma atual.
Sob outro prisma, é válido averiguar que a ausência de engajamento da população civil agrava a problemática. Isso se deve, sobretudo, à carência de organizações voluntárias de assistência aos povos indígenas no que concerne à conservação da linguagem e de fatores culturais desses grupos. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade se assemelha a um corpo biológico, uma vez que o mau funcionamento de uma das estruturas acomete o todo. Logo, em conformidade com a perspectiva sociológica, é substancial que a civilidade atue de maneira mais promissora na mediação de conflitos.
Em síntese, a observação crítica dos fatos mencionados reflete a urgência de providências para mitigar o panorama vigente. Portanto, compete ao Ministério da Educação e da Cultura (MEC), mediante verbas públicas, incentivar eventos socioeducativos, em escolas e universidades, voltados para a transmissão elementos culturais dos índios e de ensino de suas variedades linguísticas. Essa medida tem a finalidade de tornar o Estado um agente mais eficiente na proteção dos direitos sociais assegurados aos grupos minoritários. Ademais, cabe ao Governo Federal, a partir de parcerias com Organizações Não Governamentais (ONGs), prestar assistência aos nativos no que tange à disponibilização de recursos para a manutenção da cultura e da integridade desses povos. Tal ação deve ter como objetivo principal promover um maior engajamento civil na questão e, assim, viabilizar o combate à extinção de línguas indígenas no Brasil contemporâneo.