A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 21/09/2020
É nítida a imposição cultura sofrida pelo Brasil desde o século XVI. Com ela, as culturas que se diferenciavam da estimada por Portugal eram suprimidas, distorcidas e até apagadas. De modo hodierno, o desleixo da máquina pública e a visão supremacista da sociedade brasileira ameaçam o fim das várias línguas indígenas no país.
Em primeira análise, a extinção da língua é uma consequência direta das políticas recentes de ameaças aos povos originários. De acordo com a Unesco, das quase 300 línguas que hoje existem no Brasil mais de 60% correm o risco de extinção. Tal dado pode ser constatado ao analisar o programa de governo das administrações recentes, que prioriza pautas agropecuaristas e flexibilizam as leis de proteção às comunidades indígenas, implicando em uma ameaça direta à existência delas, e por conseguinte, às suas línguas.
Em segundo plano, a visão preconceituosa da sociedade brasileira frente aos problemas indígenas é parte ativa no seu agravamento. A ideia distorcida que julga as comunidades indígenas como secundárias às comunidades urbanas é contrária à realidade do Brasil. Consoante ao filósofo indígena Daniel Manduruku, reconhecer o nosso país como um país diverso e horizontal é essencial na resolução dos problemas sociais que o afligem.
Destarte, vêem-se necessárias medidas interventivas a fim de solucionar esse problema. Portanto, para evitar a extinção das línguas indígenas, urge que o Ministério da Cultura, junto ao MEC, promovam, por meio de disciplinas obrigatórias nas escolas de ensino básico, discussões a respeito das culturas indígenas. Gradualmente, poderão conscientizar as pessoas a respeito das graves ameaças que essas comunidades sofrem. Somente assim, será possível preservar as línguas hoje ameaçadas, promovendo cultura ao invés de impô-la.